domingo, 27 de fevereiro de 2011

VERDE, PRETO E BRANCO

Era uma tarde de domingo. Dois grandes times iriam jogar e suas torcidas se preparavam já desde a manhã para mais uma peleja. De um lado, um torcedor palmeirense; do outro um torcedor corinthiano. Dos dois lados o mesmo fervor acometia os torcedores.
Começa a partida e as torcidas começam a se manifestar.No começo murmúrios, algum tempo depois já no afã do clima "esportivo", tons de vozes alteradas, a soltar incansavelmente palavras desconhecidas do nosso vocabulário, inenarráveis aqui pelo seu alto teor quase pornográfico. Verbetes chulos, popularmente conhecidos como "palavrões", mas con alto nível de sofisticação e alguns requintes de baixaria. Não entendo porque mas de repente os dois lados se sentiram ofendidos um pelo outro. E estava formada a confusão.
De repente ainda, aquilo que era apenas um grito tresloucado de desabafo, passou a ser direcionado ao outro que também botava para fora todos as suas vibrações negativas e obscuras.
Os torcedores que assistiam até então ao futebol, passaram a tomar posição de um e de outro. Estava então formada uma torcida paralela para um outro jogo que se iniciava. Das sacadas dos três prédios que formam um conjunto residencial de classe média podiam se ver vultos que se revezavam entre as duas partidas: a do jogo da televisão e a do jogo dos dois torcedores.
De forma silenciosa a torcida se manifestava e podia se sentir no ar o clima, embora tenso, mas quase divertido da grande confusão que ali se formara. Foram alguns momentos de pura troca de energia da mais ridícula que se possa pensar, mas depois de alguns puxões de orelha por parte de pessoas que se posicionaram contra aquele espetáculo paralelo o silencio enfim tomou conta do ambiente. Silencio cheio de reticencias, pois afinal, o clima tenso e partido a partir de agora passa a ser o fundo do cenário.
Claro, caberia aos protagonistas de tal espetáculo alguma advertência. Esse fato não poderia continuar a acontecer. E dessa forma julgou-se conveniente fazer alguma coisa que realmente mostrasse a ambos que não deveriam repetir tal feito. E não se conhece algo, desde o inicio dos tempos de nossa enfadonha história, que mexa mais com os sentimentos do ser humano do que o dinheiro. Botar a mão no bolso e tirar dinheiro para taxas, impostos, multas!!!! Que horror!!!! Só isso poderia fazer o tão esperado milagre da calmaria.
E assim foi. Uma multa relativamente significativa foi aplicada aos dois fervorosos torcedores, que ao receberem a noticia da tal se sentiram  lesados!!??? Sim, vamos pagar uma multa???
Falaram, reclamaram, mas a punição tinha o devido aspecto legal e, portanto, não cabia nenhum questionamento. Era pagar e calar.
Desde então, a paz reina nesse condomínio de classe média. Hoje, dia de jogo não assusta ninguém. Os gritos de GOL são quase abafados. A torcida se manifesta silenciosamente, dá para se ver às vezes, alguns braços que se levantam, mãos que se apertam, expressões de alegria ou tristeza, mas apenas isso. As bandeiras na sacada saíram de cena sem deixar rastros.
Mas sei que ao receberem a tal multa, o palmeirense ficou VERDE de raiva e  para o corinthiano a coisa ficou PRETA. Era já de se esperar pois ambos estavam ROXOS e doentes. O branco, cor que cabe a ambos, simboliza aqui a paz que passou a existir e que faz com que todos acreditem que esporte é bom e nós gostamos.
Para todos os torcedores que vibram pelos seus times, mas que devem saber o quão importante é estabelecer o limite do bom senso.

27/02/2011                                        07:44 horas

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