quinta-feira, 31 de março de 2011

AMIGO

Nos chamamos por amigo; amigo e amiga. Acho que essa palavra tem muita força. Só trato dessa forma pessoas que realmente merecem assim serem chamadas. Tivesse ele o nome que tivesse continuaria sendo para mim Amigo!!!. O conheço há pouco tempo, mas parece que já temos uma amizade de longa data. Como ando dizendo ultimamente eu e o tempo andamos nos estranhando, temos tido algumas divergências sobre o que eu quero e o que ele me permite. Sendo assim, o tempo passa a ser pouco significante diante do sentimento.
Na primeira vez em que o vi, senti grande simpatia, ainda que o momento não fosse assim tão apropriado. De qualquer forma senti vontade de estar com ele outras vezes. Parece que falávamos a mesma língua, percebi que ele gostava de rir, de brincar,  de falar bobagem; mas também senti que poderia ser um amigo de tempos difíceis. Acho que em um momento ruim que a vida me desse eu poderia contar com ele. Acho também que se eu estivesse sofrendo ele me daria seu ombro para chorar, seus ouvidos para escutar meus lamentos e me emprestaria seu olhar de solidariedade e compreensão. Hoje não acho, tenho certeza. E também faria o mesmo por ele.
Hoje somos amigos e assim nos tratamos. Simplesmente amigos.
Esse amigo está, acho eu, no seu melhor momento. A vida lhe deu um grande presente que chegará em breve. Eu fico muito feliz de ter compartilhado em primeira mão da maravilhosa notícia e fico todos os dias torcendo pelo pequenino que está por vir. Espero no dia de sua chegada estar lá para lhe dar as boas vindas.
Dias atrás meu amigo fez aniversário; nesse dia escrevi alguma coisa para ele, mas por imperdoável descuido não lhe enviei no dia certo. Deixei passar o tempo. Novamente eu e o tempo brigando. Mas sempre é tempo, e agora está aqui postado para a eternidade que podemos ter. Talvez naquele momento ele estivesse esperando e não teria o privilégio da surpresa. Hoje certamente terá. Ou hoje talvez, seja o melhor momento, aquele em que a gente precisa ouvir alguma coisa para seguir adiante com a auto estima no prumo.
Caro amigo, claro que lembrei de você no dia do seu aniversário, claro que telepaticamente me correspondi com você e lhe enviei o que de melhor havia em meu coração. Mas o que escrevi ficou guardado, salvo no famoso word, esperando para completar com alguma coisa... parece que esquecia de dizer alguma coisa......parece que faltava alguma coisa a dizer.......
AH...lembrei...FELIZ ANIVERSÁRIO.

Para meu querido amigo Marco Sedevitz, com muito carinho e muito respeito.

16/03/2011                                                10:12 horas

domingo, 27 de março de 2011

SOPA DE BAMBU

Vovô iria fazer aniversário.Como sempre, vovó começava tempos antes os preparativos. Nesse ano em especial, resolvera pensar em algo diferente; afinal, depois de 50 aniversários que passaram juntos, tudo parecia ser lugar comum.  Recebeu um panfleto, desses que aparecem no quintal, jogados e encantou-se. Era um lugar maravilhoso, com muito verde, piscinas aquecidas, cavalos, lagos com pedalinhos. A comida era a típica comida de fazenda e no anuncio havia uma referencia especial à sopa de bambu e suco de gengibre. Lembrou-se que vovô adorava comida natural e pensou que poderiam comemorar o aniversário num lugar assim, a família toda reunida e um fim de semana inteiro de festa.
Rapidamente passou a mão no telefone e começou a ligar para os filhos, combinando o tal encontro. Todos adoraram a ideia; os netos, então adolescentes, passaram a se falar todos os dias imaginando e planejando o final de semana festivo. Vovó fez as reservas para 15 pessoas, entre filhos e netos. A família era grande.
Finalmente o dia chegou. Três carros lotados de malas, apetrechos de caça, pesca, bola para jogar queimada, bola para jogar futebol, baralho, dominó, jogos e mil coisas para entretenimento.Na bagagem dos adolescentes várias roupas, cremes, xampoos, hidratantes, protetores solares, maquiagem. Alguns livros entraram nos pertences de todos, para fazer companhia naquele famoso momento de descanso. E lá se foram para comemorar o aniversário do vovô.
Durante a viagem (longa) a animação tomava conta do ambiente dos 3 carros. Entre a admiração da paisagem que era belíssima e a expectativa dos netos adolescentes, as mentes ficaram divagando o tempo todo. Depois de horas e horas começaram a ver placas indicando o local. Era uma montanha, por onde caminharam até chegar no topo, onde havia um portão que alguém citou como parecendo ser o portão do céu.  Abriu-se e começaram a entrar para o lugar encantado, onde vovô completaria seus 75 anos durante os 3 dias de festa. Conforme caminhavam lentamente começaram a ver algumas pessoas também caminhando à pé  que alegremente acenavam para eles. Mas havia algo muito estranho. Essas pessoas caminhavam sem uma roupa sequer a lhe cobrir os corpos. Vovó parecia em choque; vovô olhava para ela com um misto de espanto e satisfação. Mas não sabia o que lhe dizer. Os filhos se mostraram escandalizados. O que significava isso? Teria vovó enlouquecido? Os adolescentes passaram a sentir enorme admiração pelo casal de avós que tinham. Os pais pediam aos filhos que fechassem os olhos; claro, fingiam que obedeciam, mas por uma pequena frestinha, olhavam atentamente para aquele espetáculo inédito que se apresentava no momento.
Chegaram à recepção de onde saiu um homem exatamente como veio ao mundo, desprotegido de qualquer veste a lhe cobrir o corpo, já gasto pelo tempo e sem nenhum grande encanto. Da cozinha sai o cozinheiro que iria preparar a sopa de bambu; esse não vinha totalmente nu, tinha na cabeça aquele gorro de cozinheiro e trazia nas mãos uma bandeja com croquetes de bardana e suco de espinafre.
Ao perceber os olhares de espanto do grupo o homem da recepção explicou que ali era um espaço naturalista, onde a nudez era algo tão natural quanto a sopa de bambú. Vovó ainda retrucou  dizendo não haver nenhuma referencia a esse detalhe que fazia toda a diferença. O homem lhe disse que logo na entrada do tal "portão do céu" havia uma placa informando sobre a condição de nudez do local. Ninguém observara nada, olharam apenas para o portão.
Desculpas dadas, negócio desfeito, entraram no carro e vieram embora. Não poderiam ficar num lugar 3 dias pelados. Todos sairiam de lá desmoralizados. Ao sair passaram novamente pelo tal portão e, olhando para trás viram a tal placa informando que a partir dali era proibido o uso de roupas. Ao fundo, puderam observar várias bundas, de várias idades, corpos nús, caminhando tranquilamente pelo local.
Voltaram para suas casas e no dia seguinte reuniram-se na casa para comemorar o aniversário do vovô. Na mesa um bolo com recheio de doce de leite e cobertura de chocolate, brigadeiros, cachorro quente e refrigerante. Uma vela em cima do bolo, algumas bexigas para enfeitar o ambiente. E só. Cantaram parabéns, vovô ganhou presentes, a casa ficou uma bagunça. Mas enfim todos se divertiram como sempre acontecia. Vovó prometeu que para o ano seguinte iria procurar um lugar para passarem o aniversário , mas tomaria alguns cuidados antes de fechar qualquer pacote. Mas, acho que no fundo, todos queriam que ela cometesse outro engano e procurasse quem servisse como prato da casa sopa de bambú. Afinal, todos ficaram muito curiosos para saber que gosto tinha....a sopa de bambu......e o suco de gengibre.

27/03/2011                                                    09:32 horas

sexta-feira, 25 de março de 2011

É DE PRAXE

Meus olhos queriam se abrir, mas estavam fracos. Minha mente estava confusa. Ouvia um fundo de vozes misturadas com gemidos, não conseguia distinguir o que falavam. Queria mexer os dedos para, numa tentativa desesperada, me comunicar, mostrar que estava reagindo. Não sabia exatamente a que, mas sentia que estava reagindo. Tentava reconhecer alguma voz que me fosse familiar, mas em vão. Me sentia perdida, sem saber onde estava. Lembrava-me vagamente de sentir fortes dores, que agora haviam acabado. O que isso significaria? Por que não sentia mais dores? Por que não conseguia abrir os olhos? Por que não conseguia fazer um movimento sequer?
Algum tempo se passou, não sei exatamente quanto, até que consegui abrir os olhos lentamente e pude ver uma pessoa a meu lado. Tentava lembrar quem poderia ser, tinha um rosto que me parecia familiar. Claro, era um médico; havia visto sua fisionomia, ouvira sua voz quando me dizia que iria tentar salvar minha vida. Então, eu havia sobrevivido.  Todo o resto que vivera tinha sido apenas um sonho. Estava de volta. Não conseguia saber se estava feliz ou não. Estava muito confusa. Queria perguntar sobre meus filhos, meu marido, meus irmãos, mas não tinha forças.
Entre momentos de delírio e lucidez fiquei divagando por algumas horas, dias, nem sei exatamente.  Até que de repente ouço uma voz familiar, alguém que conheço, e que me chama pelo meu nome com muita familiaridade.  Vi meu marido, meu filho, minha irmã, todos falaram comigo. Senti enfim, que sobrevivera à tempestade que se instalara em minha vida sem aviso prévio.
Ficava esperando ansiosa aquele momento em que receberia a visita de pessoas que conhecia e que vinham me mimar um pouco. Estava precisando muito disso. Sempre chorava quando elas iam embora, queria pedir que ficassem, me sentia abandonada, tinha medo de algo que nem sabia explicar. Sentia vontade de apertar as mãos dos meus e não deixá-los ir embora. Esses momentos eram tão rápidos , mas tão intensos. Sempre me emocionava, mas deixava para chorar só quando iam embora, não queria preocupá-los. Eu os amava. Senti naqueles momentos o verdadeiro sentido do amor
Aos poucos fui me recuperando, recuperando meus movimentos, voltando lentamente a andar, a conversar sem muito esforço. Mas demorei demais para recuperar a vontade de viver, a energia que era minha companheira inseparável, a alegria que era quase minha marca registrada. 
O tempo passou e aos poucos fui me recuperando. Nunca soube que marcas ficaram no meu corpo e que serão determinantes para encurtar meu tempo nesse plano. Isso me preocupa só às vezes. Mas sei que as marcas que ficaram em minha alma  são profundas e até hoje me fazem sofrer ao relembrar aqueles momentos.
Lembro-me dos rostos que estiveram me olhando, sorrindo para mim e me reconfortando enquanto ali estava imóvel. Não sabem como me fizeram bem. Essas presenças me marcaram profundamente e foi isso que me deu forças para querer continuar aqui.  Senti que era importante, que essas pessoas iam até mim para me resgatar, pois, obviamente me amavam. Lembro-me de cada palavra que me disseram, sinto até agora o doce gosto de seus beijos em meu rosto sofrido, sinto o calor de suas mãos segurando as minhas que estavam frias e sem força. Sinto a energia que me passavam para que eu me recuperasse rapidamente. Sinto o amor que me passavam e me dava tanta força.
Lembro-me também dos rostos que ali não estiveram; sempre esperava por eles e eles não vieram. Tinham seus afazeres, tinham seus motivos, tinham suas desculpas.... talvez eu não fosse assim  tão importante quanto imaginava ser. Se eu tivesse morrido, talvez tivessem vindo. É de praxe...!!!!

 25/03/2011                                                 22:17 horas

RESPOSTA AO TEMPO

Quero viver, preciso viver. Tenho urgência de viver, intensamente, plenamente. Acho que já não quis, quando senti que o tempo não obedecia ao meu comando; que os acontecimentos se sobrepunham à minha vontade; quando a vida me ameaçou e eu não consegui lhe responder. Tempos de desesperança, tempos de tristeza profunda, de dor; tempos de revirar o baú e relembrar as mágoas, as dores e todas aquelas lembranças que só queria esquecer. Tempos de sofrimento, tempo  de vacas magras.
A tempestade chegou sem avisar, trazendo consigo os piores momentos, a amargura, a sensação de abandono. Deixei de lado todos os sentimentos bons e nobres e passei a cultivar o que de pior em mim se escondia. As lágrimas tinham o sabor do fim; as noites tinham a sensação de infinito e os dias pareciam não acabar nunca. Sentia meu tempo escapando por entre meus dedos e me sentia impotente diante disso.
Tinha uma dor tão profunda que mal sabia explicar. Mas podia sentir tão viva em minha alma, tão latente, tão parte do meu eu, que chegava a me confundir com ela. Submergi sozinha, sem precisar ser empurrada por ninguém; não houve um motivo claro e justificado que fosse politicamente correto para me fazer assim sentir. Mas assim me sentia. A voz se calou, os olhos perderam o brilho, a alegria se aquietou, tomou talvez a forma de falsa paz.
Emergi sozinha, sem nenhuma explicação politicamente correta. A voz voltou a falar (como nunca), os olhos voltaram a brilhar e ganharam um brilho extra.A alegria me invadiu, corpo e alma, por completo. A música ainda me faz chorar, mas as lágrimas que hoje derramo tem o sabor do recomeço. As noites continuam longas mas cheias de sonhos e planos. Os dias passam rápido,mal consigo fazer o que planejo. O relógio anda sempre mais rápido que eu. O riso passou a ser meu companheiro inseparável; os fins de semana voltaram a ter o sabor especial, a cara de festa, de encontros, reuniões, encantos e magias.
Minhas mãos empunharam novamente o lápis e o papel em branco, onde coloco descaradamente meus sentimentos, sejam eles quais forem. Não tenho mais censura. Falo o que penso, faço o que quero; não me importo com nada. Aprendi a ser feliz no momento, o resto fica para depois. Quero viver uma vida em um minuto.
Mas o tempo, esse,  continua a não me obedecer e, sendo assim, vivo o tempo que me resta, dando ao tempo o poder de determinar qual será meu tempo. Como será esse tempo cabe a mim resolver e decidir.
Como não tenho resposta a dar ao tempo, eu bebo um pouquinho pra ter argumento.

25/03/2011                                                          21:39 horas

sábado, 19 de março de 2011

BELEZA

Era fim de tarde. Depois de um longo e estafante dia de trabalho fui para o ponto esperar o ônibus que me levaria para casa para descansar, repousar e permanecer pelo menos algumas horas sem pensar em nada. Sentei-me em um banco onde haviam dois rapazes bastante jovens conversando. Não pude deixar de ouvir a conversa, que tentarei relatar mais ou menos aqui:
-E aí mano, tudo em cima?
-Beleza.
-E sua véia tá de boa?
-Beleza.
-E aquele baguio, cê resolveu?
-Beleza.
-OH brother, bom te vê, cê vai tá na vibe sabadão?
-Beleza
-Falou, então a gente se cruza lá. Mermão, bom fala contigo, tava deprê, e esse papo levantou minha moral.
-Beleza.
Fiquei por alguns instantes literalmente em choque. Havia estudado tantos anos para poder entender mais ou menos o comportamento humano. Passava dias, noites até debruçada em cima de livros, percorrendo páginas escritas por Freud, Reich, Yung. Lembrei-me de Freud quando havia conseguido resolver um trauma da mulher dos ratos em apenas uma sessão. Mas teve que ouvir e falar, fazer algumas intervenções quando necessário. E foi depois de muito estudo, muito preparo. E foi Freud!!!!!. Mas esse rapaz em cinco minutos, dizendo apenas uma palavra repetida sem nenhuma emoção, conseguiu levantar a auto estima do amigo.
Cheguei em casa e resolvi usar essa palavra por algum tempo para ver que resultado obteria. Meu filho me perguntou se poderia pegar meu cartão de crédito para comprar uma coisa que precisava. Lancei mão da palavra mágica e ele saiu satisfeito. A empregada me perguntou se podia utilizar no chão um tal produto que nem sabia eu para que servia. De novo a palavra mágica. Meu marido me pediu para trazer alguns amigos no domingo para assistir ao futebol. Beleza era só o que eu dizia.E todos me abraçavam, sorriam e me acarinhavam. Pensei, será que descobri o grande segredo do viver bem?
Na semana seguinte os resultados da minha tentativa de apostar no poder da palavra ouvida começaram a aparecer. Minha fatura de cartão de crédito chegou, e nela haviam gastos em MC Donalds, lojas de games, etc. Minha empregada utilizou o tal produto que deixou o chão tão liso que diante do susto da fatura do cartão, escorreguei e quebrei uma perna. Os amigos de meu marido vieram no fim de semana para assistir ao futebol e aproveitaram para almoçar, tomar café da tarde, jantar e ainda levaram restos de guloseimas para suas casas. A casa ficou revirada do avesso.
Ganhei uma perna quebrada, uma casa revirada e uma conta gigantesca. Relatando o caso desde seu inicio para meu marido ele, indignado me disse: QUE BELEZA HEIN!!!! E eu, para não perder o bom humor que até então era a única coisa que me mantinha ainda viva respondi simplesmente: BELEZA.

19/03/2011                                         20:30 horas

BANQUETE DE CACHORRO

O marido havia chegado tarde, muito tarde. E provavelmente não havia dado à esposa explicações que justificassem sua demora. E, a partir daí iniciou-se uma longa e intensa discussão.
Começaram discutindo o presente, fatos que aconteceram recentemente, coisas do tipo roupa sempre limpa, casa sempre arrumada, crianças sempre com os deveres de casa em dia. Ele por sua vez se defendia dizendo ser sempre um ´pai preocupado em manter a casa sempre farta, as crianças em boas escolas, bom convénio médico. E, ainda por cima, ser pai e marido carinhoso.
Por outro lado, ela negava tudo o que ele falava em causa própria e ele também da mesma forma agia.
Engraçado que em toda discussão, a coisa mais comum é cada um enaltecer as próprias qualidades e tripudiar sobre os defeitos do outro.
E assim a discussão continuou, passando então os dois a revirar o passado e de lá tirar todas as coisas que cada um havia feito para o outro; só as boas, é claro. O outro, para se defender ou se justificar, negava ou colocava alguma reticencia nas colocações que vinham do fundo da alma. Reviveram a fase do namoro, do noivado, do casamento, da espera pelos filhos. Ele dizendo que sempre esteve presente, ela dizendo que ele sempre estivera ausente. Ela dizendo que sempre fora abandonada e ele dizendo que deixou de fazer muitas coisas que gostava para estar ao lado dela.
Vez ou outra as crianças acordavam e pediam a eles que parassem de falar alto; eles se desculpavam, mas rapidinho recomeçavam a baixaria.
Ela disse então que havia feito naquele dia seu prato preferido: peixe com molho de camarão!!! Não o avisara pois queria fazer surpresa. Nesse momento não consegui me manter imparcial como vinha fazendo até então e senti certa vontade que ela fosse a vencedora da batalha que ali havia se travado.
Houve um breve silencio e então a ouvi dizer a ele que o melhor a fazer era comerem e encerrarem aquela discussão que não tinha ponto de chegada certo. Ele, muito sem graça e sem jeito lhe responde que não precisava se incomodar, pois já havia comido uma bobagem e portanto estava sem fome.
A mulher lentamente se dirigiu ao fogão, empunhou a panela em suas mão, abriu a janela e de lá atirou-a com peixe, camarão e molho.
Depois, enfim, o silencio tomou conta do lugar e fomos todos dormir.
No dia seguinte, logo que acordei, corri para a janela para ver o que tinha acontecido. Do peixe nada mais restava. Acho que havia virado banquete de cachorro. Mas a panela, essa estava lá, em forma oval, achatada. Nela, nunca mais conseguiria ninguém preparar um peixe ao molho de camarão.
Soube depois que esse incidente não havia interferido muito na vida do casal, que continuou vivendo junto. Mas passei a ouvir o homem chegar em casa todos os dias no mesmo horário......antes do anoitecer.


19/03/2011                                                 19:48 horas

EU CANTO, EU CONTO E GANHO UM PONTO

Ao longo da vida tenho feito muitas descobertas. Descubro coisas, pessoas, sentimentos. Sentimentos, então, eu sempre penso que conheço todos, mas sempre digo que sinto apenas os bons. Mas a cada dia que passa descubro um sentimento novo, sim novo, pois, por mais que já tenha sentido antes, tem um jeito diferente dependendo do momento.
Descobri que sentir não é pecado; descobri também que sentimentos, em especial bons, não matam. Ouvi isso de trechos de Clarice Lispector quando se referia a amor. Passei a ver o amor de uma forma ainda maior, pois percebo que amar demais, respeitado o limite do bom senso, é muito bom.
Descobri que a inveja pode até ser produtiva, quando sentimos que gostaríamos de ter o que outro tem, mas não queremos, em momento algum, tirar dele para que isso aconteça.
Descobri que sentir saudade desperta em nossos corações vontade de refletir; movimenta nossos pensamentos em direção ao objeto da saudade, seja ele pessoa, tempo, evento.
Descobri que até a raiva, se bem colocada e bem sentida, pode servir para fazer nosso sangue circular, a adrenalina subir e nos empurrar em direção ao que queremos fazer.
Descobri isso e outras tantas coisas que deram um sentido diferente à minha vida.
Hoje canto, danço, dou muitas risadas; se sentir vontade de chorar, choro, por mais absurdo que possa parecer.
Hoje procuro sempre me cercar de bons amigos, busco sempre uma oportunidade para reunir esses amigos em volta de uma mesa e vivermos dessa forma bons momentos.
Hoje, se sinto raiva, falo, grito, esbravejo, sem medo. Se exagero, peço desculpas, me retrato, me redimo.
Hoje, se amo, também falo, se for preciso também grito. Se exagero, não peço desculpas, não me retrato, não me redimo.
Hoje vivo intensamente, amo intensamente, faço tudo intensamente, como se fosse o último instante de minha vida. Claro, preservo os limites alheios, apenas vivo o que sinto.
Hoje eu canto minhas alegrias, conto minhas criações, e sempre, sempre acabo ganhando um ponto.
19/03/2011                                    10:26 horas

quinta-feira, 17 de março de 2011

SANTA TECNOLOGIA

Um homem, uma mulher, um computador. Cada um na sua sala, cada um em um país diferente e distante. Profissionais bem sucedidos, já passando dos 35 anos, solteiros ainda. Haviam passado a maior e melhor parte do seu tempo envoltos com trabalho, estudo, especializações, defesas de tese. Passavam horas, dias, noites, entre livros, cadernos, portfolios, reuniões, sala de aula.....
Com a chegada dos computadores, a vida dos dois se tornara maravilhosa. Tudo era mais rápido, a comunicação era em tempo real e, dessa forma, podiam tornar ágeis também todos os seus negócios. Passaram então a dedicar grande parte do seu tempo ao querido computador, deixando um pouco de lado o papel, a caneta, os livros, o abajour de cabeceira. Tudo isso foi trocado pela mesa e pela tela. Justo.
E assim, como puderam agilizar os estudos e o trabalho, nessa idade já tinham conseguido suas conquistas e passaram então a usar os facebooks, orkuts e.....sites de relacionamento. Acharam excelente e prática essa forma de comunicação moderna e arrojada.
Foi assim que se conheceram. Sentiram no olhar (pela tela) que se completavam. Em suas conversas havia muita coisa que os fazia afirmar que eram almas gêmeas. A distancia não era empecilho para ambos, pois ambos estavam muito acostumados com essa modernidade.  Iniciaram um romance que tomou forma e ganhou vida na vida dos dois. Conheciam-se profundamente, um sabia de todos os gostos e preferências do outro.
E assim, dessa forma "on line" iniciaram um romance que se estendeu por mais de 1 ano. Em uma dessas conversas falaram sobre a vontade que tinham de se casar, constituir uma família, filhos. Mas como seria isso possível, se ambos estavam fisicamente tão distantes? Falaram sobre isso durante algum tempo e saíram em busca de uma solução alternativa. Poderiam sim se casar através de uma procuração, cada qual com seu advogado a cuidar do processo que permitiria a união. Pensaram em todos os detalhes e marcaram uma data. Não havia necessidade de enxoval, festa, arrumação de casa e todos os preparativos que permeiam um casamento convencional pois não era um casamento convencional.
Casaram-se via chat, msn, vídeo conferencia e lançaram mão de todos os recursos que a tecnologia atual proporciona. A noiva abriu mão do tradicional traje usual, não fazia mesmo muita questão disso. Achava totalmente dispensável.
Mudaram seu estado civil. Estavam enfim casados. E sem abrirem mão de suas carreiras. Só vantagens (sob seus pontos de vista).
Mais algum tempo depois começaram a falar sobre seus desejos e sonhos de aumentar a família. Sonhavam com filhos.Mas como seria possível se ainda moravam cada qual em um país diferente.... Pensaram, refletiram, consultaram médicos, tarólogos e chegaram à conclusão que podiam sim. Ele mandaria uma "semente" e ela cuidaria da plantação e da colheita. E assim fizeram. Por duas vezes. E assim  tiveram dois filhos que se revezaram ao longo da infância e adolescencia entre casa de pai e casa de mãe.E os dois puderam acompanhar todas as fases da vida de seus filhos.
Vinte e cinco anos se passaram. Filhos crescidos, vida financeira sólida e estável, começaram então a falar sobre a necessidade de parar um pouco com o ritmo frenético de suas vidas e enfim morarem juntos, consumando dessa forma o tal casamento que nunca antes fora consumado.
Escolheram um local que agradava a ambos, montaram uma casa com todo o conforto a que julgavam ter direito e foram para lá, decididos a passar juntos o resto de vida que lhes restara.
O primeiro encontro causou estranheza a ambos. Engraçado, se conheciam tão bem e tão profundamente, mas sentiam-se nesse momento dois estranhos. Deitaram-se na mesma cama, mas continuavam como dois estranhos. Viveram assim por alguns dias, entre cafés da manhã, almoços, jantares, sempre silenciosos. Não haviam cultivado tal hábito. Veio então a discussão que tanto temiam. O que acontecera? Juravam se amar, juravam se conhecer. Falaram bastante, discutiram tudo o que já haviam discutido por 25 anos, e chegaram à conclusão de que a hora da separação era inevitável e fatal.
Separaram-se, no papel e na vida. Cada qual voltou para sua casa e continuaram bons amigos a se falar sempre da forma que melhor sabiam, ou seja, pelo computador.
Como são um casal internautizado, colocaram cameras nas casas dos filhos que, nesse tempo já haviam se casado, e puderam assim acompanhar o nascimento e o crescimento dos netos.

SANTA TECNOLOGIA!!!!!!!!


18/03/2011                                   20:56 HORAS

CADÊ O CHAPEUZINHO VERMELHO?

A família morava no Brasil, mas tinha parentes na Itália. Ainda cultivavam alguns hábitos que trouxeram de lá quando partiram. Lá onde moravam plantavam trigo, temperos, ainda faziam o pão em casa com a farinha produzida pelo trigo que plantavam. A parte da família que se bandeou para cá trouxe consigo esses hábitos e deles nunca abriu mão. Continuavam a fazer o pão todos os dias, arrumavam a mesa farta para os cafés de meio de tarde. Nela sempre colocavam aquelas coisas gostosas que bem conhecemos; o velho bolo de fubá, a goiabada produzida com goiabas do próprio quintal, o queijo branco feito com leite de vaca retirado do sítio vizinho, sem nenhum processo de pasteurização. Mas como era bom e gostoso!! A manteiga seguia o mesmo processo caseiro e por esta razão tinha um gosto especial. O café com leite também obedecia a esses mesmos critérios.
Mas o pão, esse era especial. Sempre que possível faziam com a farinha recebida pelas tias que ainda moravam na Itália e produziam a tal. Achavam que dessa forma conseguiam matar a saudade que tinham de seu país de origem e dos que lá ficaram. E assim, todos os meses recebiam pelo correio um pouco de farinha. Não podiam as tias enviar grandes quantidades pois o envio ficava muito caro.Era mesmo só para matar a saudade.
Um belo dia, ao receberem o pacote através do correio, sentiram que a farinha estava diferente, talvez um pouco escura. Acharam que essa safra do trigo devia ter sofrido alguma alteração genética, ou talvez, fosse uma nova fórmula, mais gostosa talvez. Até a quantidade parecia menor. A embalagem também estava diferente das costumeiras. Mas, enfim, vamos colocar as mãos à obra.
Lá foram ao preparo do pão e continuaram a achar que a farinha  dessa vez estava tão estranha que nem dava liga. Tiveram então que utilizar um pouco da farinha que compravam no supermercado para poder dar ao pão o ponto de massa assável. Aproveitaram para colocar um pouco de linguiça, algumas rodelas de cebola, cobrí-lo com rodelas de tomate e eis que surge um típico pão italiano iguais aqueles que vez em quando se comia lá na terra distante.
Nesse dia, por terem caprichado no pão, capricharam também nos outros pratos, dando ao bolo de fubá uma cobertura colorida que só em dias de festa era permitido. Sentaram á mesa e comeram até se fartar. O pão estava maravilhoso e recebeu elogio de todos. Foi o destaque do famoso café da tarde. Houve alguém que até ousou levar um pedacinho que sobrara para comer à noite caso tivesse fome.
Dias depois, recebe a família uma carta informando que a avó havia morrido e, seguindo o seu desejo expresso em vida fora cremada. Ao final da carta os dizeres: Seguem as cinzas de vovó para serem espalhadas no quintal.
Por uma distração do destino e um descuido dos correios, a carta que deve ter vindo junto com a caixa deve ter se extraviado e por essa razão, foi entregue dias depois.
É, acreditem, eles comeram a vovó!!!
Mais alguns dias depois, esse amigo que me relatou o fato, encontrou com um dos netos da vovó e perguntou se estava tudo bem. Ouviu a seguinte resposta; "Tudo bem nada, comemos a vovó no café da tarde".
Ao ouvir a história não me contive e pensei que tinha todos os ingredientes para ser um belo conto infantil; tinha a vovó, tinha o lobo mau que comeu a vovó, mas cadê o Chapeuzinho Vermelho?
Acreditem, essa história é verídica e aconteceu numa cidade aqui próxima. Quem me relatou essa história pode confirmar.


18/03/2011                           08:26 HORAS

quarta-feira, 16 de março de 2011

SÓ PARA COMPLETAR

Não a conheço pessoalmente, ainda não tivemos oportunidade para tal. Mas a sinto próxima, a sinto tão presente em minha vida como se fossemos velhas conhecidas. Apenas vejo seu rosto pela imagem postada na tela do computador. Passo aí a vê-la falando comigo, trocando energias, trocando mensagens de pura amizade e toda vez que recebo dela um carinho penso que devemos urgentemente nos encontrar.
Falo sim, de uma pessoa muito especial. Pois, só sendo assim, poderia ela transmitir tão bem os carinhos que faz de forma tão sutil e gentil. Conseguimos sentir o que a outra sente; ela, então, consegue captar minhas palavras e se remeter para dentro de minh'alma, consegue sentir exatamente aquilo que estou sentindo.
Querida, como a vida é engraçada. Às vezes, passamos tanto tempo ao lado de pessoas com as quais não conseguimos trocar muitas palavras. E aí, sem aviso prévio, chega alguém, assim, de mansinho, que vem através de amigos comuns e se instala em nossos corações.
A sinto assim, e, como eu, gosta também de escrever. Deve apreciar a leitura e a escrita e usa essas ferramentas para lançar ao mundo suas ideias. E, devo dizer, o faz com propriedade; conhece as palavras e sabe usá-las com objetivos nobres. Toda vez que leio alguma coisa que ela escreve aprendo um pouco mais sobre a vida, sobre as pessoas. E sempre sinto que estamos cada vez mais próximas. Falo dela como se a conhecesse desde sempre e quando digo que ainda não a conheço pessoalmente as pessoas estranham, pois pelos comentário que faço pareço ser intima, parecemos estar sempre juntas.
E, acho que sim,estamos sempre juntas em meio a palavras, ligadas pela tela do computador, plugadas através da magia da internet, da comunicação rápida, quase em tempo real. Somos modernas, arrojadas, ousadas, colocamos na tela todos os sentimentos e conseguimos transmiti-los de forma mágica. Somos amigas cibernéticas, internautas, antenadas, estamos no Orkut, no Facebook, falamos e escrevemos, sentimos, choramos, rimos. Vivemos intensamente.
E, tudo isso, sem nunca termos estado lado a lado um único minuto.
É, querida amiga, somos as mulheres do século 21. 
Temos uma amizade à distancia, e, paradoxalmente, estamos sempre muito próximas. Mas lhe digo, precisamos urgentemente nos encontrar. Falarmos ao vivo e a cores. Se isso é assim muito importante? Não sei lhe responder.....não sei se precisamos estar perto para sentirmos o doce sabor da amizade. Mas digo, é apenas para completar!!

Para minha querida amiga Ligia, que em breve espero conhecer pessoalmente.

16/03/2011                                                  08:24 horas

terça-feira, 15 de março de 2011

VIDA BREVE

Ando me perguntado por que algumas pessoas tem uma passagem tão curta nesse plano? Chegam e saem de mansinho, deixam para trás boas recordações, e partem sem dizer nada. Dizem que só os bons tem esse poder. Poder de encantar, de espalhar alegria, boas energias, assim como o sol, as estrelas, a lua. São como a força da natureza que nos protege toda vez que andamos distraído.
Acordei hoje com a notícia que alguém assim muito jovem, que circulava em nosso meio, havia seguido seu caminho. Sua missão havia terminado aqui. Precisava ele seguir seu destino, continuar sua missão em outras esferas. Senti um arrepio a me percorrer a alma, um frio a me invadir o coração. Ainda outro dia estava ele aqui rindo, brincando, cochichando pelos cantos com os amigos. Tão jovem!!! A ordem natural das coisas havia se invertido. Olhei pela janela e vi uma garoa fina; era como se a própria natureza chorasse a partida do jovem garoto. Mas, talvez esse jovem garoto fosse um espírito milenar que aqui passara apenas para ensinar alguma coisa que nós que dele estivemos perto, precisávamos ainda aprender.
Fui até lá onde as pessoas se reuniam para lhe prestar uma homenagem e pude sentir quão especial era esse garoto. Vi seus pais tão iluminados, ainda que sofrendo. Vi os amigos, adolescentes como ele, sentados a seu lado, tristes, mas tentando lhe dizer que havia ele aqui nesse plano sido muito amado por todos.
Me emocionei muito, e vejo que só pode esse jovem ter sido muito especial; só pessoas realmente especiais tem uma missão assim tão curta e tão plena. Só a alguma pessoas cabe essa reverência do destino. Senti que ele realmente sabia o que havia aqui por fazer, cumpriu o que lhe cabia e saiu vitoriosamente, provavelmente deixando aqui as melhores recordações. Convivi com ele e com os amigos que o cercavam por alguns anos, enquanto cresciam, ganhavam alguns fios de barba, engrossavam a voz.
Que você possa , meu querido amigo, levar consigo todas as boas lembranças, os bons momentos, a imagem de cada de seus amigos que tanto o amavam. Que você possa prosseguir o seu caminho sempre cercado de pessoas que lhe amem e que lhe ajudem nessa nova etapa de sua existência. Que você possa também ser alimentado por todas as boas lembranças dos que aqui ficaram e que sempre pensarão em você em momentos inesperados.
Os que aqui ficaram guardarão de você as melhores lembranças, os melhores momentos, as boas risadas, as festinhas, as baladas,etc. e tal. Os que aqui ficaram guardarão você para sempre em seus corações. Os que aqui ficaram sempre irão lhe enviar boas energias. Os que aqui ficaram continuarão sempre a lhe amar.
Que essa sua viagem seja o início de uma nova vida, onde sua missão será continuar a espalhar o amor que aqui você começou.
Dias atrás escrevi para outro Arthur, que aqui chegava, trazendo notícias do lado de lá. Hoje escrevo para Artur, que daqui parte, levando notícias do lado de cá. Só sei que, para ambos, a vida está apenas começando.
De onde você estiver, querido Artur, sinta nossos corações batendo forte lhe rendendo uma pequena homenagem.

Com muito carinho, muito respeito e muito amor..

15/03/2011                                         20:56   HORAS

CHICO PAROU DE DANÇAR

A menina ganhara um peixe e estava muito feliz. Toda manhã ao acordar, ia lá ver o peixe e conversava muito com ele. Dera a ela um nome: Chico. Chico era um peixe feliz, pois toda vez que a menina se aproximava ele corria de um lado para o outro, dançava para ela, pois essa era a forma que achara para falar com a menina.
Um dia, ao levantar, seguindo seu ritual, lá foi a menina falar com Chico. Chico não se mexia, não dançou para ela. Por mais que ela falasse ele não lhe respondia. A mãe, ao perceber, correu e disse à menina que deixasse o peixe descansar pois estava ele doente. Assim que pode, retirou o peixe, percebendo o que acontecera. Chico havia sucumbido, seu tempo havia expirado. Chico não mais dançaria para a menina.
Ao voltar a menina da escola, a mãe lhe disse que havia levado Chico ao médico e que ele havia ficado internado, pois estava muito doente. Mas que iria sarar, e, assim que se recuperasse, voltaria para casa. E esperaram pelo dia que o dono da loja de peixes conseguisse arruamar um que se parecesse com Chico.
Até que dias depois, o dono da loja (para a menina o médico responsável pela recuperação de Chico) ligou informando que conseguira o peixe substituto. Lá foram elas, mãe e filha, para buscar Chico. Lá chegando o homem explica para a menina todo o processo de recuperação pelo qual Chico passara e a menina ouvia atentamente todas as explicações. Foi então buscar o peixe e entregou à menina que espantada, olhou para o peixe, para o "médico" e disse: Doutor, como ele sofreu, tá tão magrinho!!! Coitado do Chico!!!!
E lá foram elas para casa, a menina lamentando o sofrimento pelo qual Chico havia passado e a mãe sem muitas explicações a lhe dar.
Acho que no fundo, a menina percebeu que algo acontecera com seu peixe e aquele talvez fosse só o substituto do Chico. Mas não ousou se aprofundar nessa questão, preferiu acreditar que era sim o seu Chico. E Chico continuou a dançar para ela todas as manhãs.
Dessa história tiro algumas conclusões:
Verdade e mentira são absolutamente relativas. A cada momento tem elas uma importancia diferente e peculiar.
Podemos acreditar no que quisermos, em se tratando de questões onde magia e sentimento se misturam.
A lógica da criança é tão simples, tão mágica e tão profunda que envolve aos adultos remexendo em seus sentimentos de forma também profunda.
Somos para os outros aquilo que significamos, não o que temos. E significamos aquilos que quisermos.
O amor é soberano e incondicional, pelo menos para os puros...
Mas o importante é que Chico continua a dançar para a menina.........

15/03/2011                                                         09:40 horas

SEGUINDO O VENTO, EU CRIO MEU TEMPO

Às vezes, queria que o tempo parasse. Outras, que caminhasse rapidamente. Mas sempre queria ter o controle sobre ele. Gostaria de eternizar os bons momentos, só parar para dormir um pouco (acredito no poder dos sonhos como meio de resolver situações de conflito).
Descobri que é possível controlar o relógio, posso marcar a hora que quiser, ele me obedece. Posso de hora em hora voltar ou prosseguir adiante, faço do jeito que me for mais conveniente. Mas aí, vem o tempo me dizendo ser soberano à minha vontade e por mais que domine o relógio não consigo dominar o tempo.
Ah! se eu pudesse..... A semana passaria rapidamente, as horas se transformariam em minutos, e em uma hora a semana teria passado e o fim de semana estaria ali ao meu dispor.
A!  se eu pudesse.......Sexta feira à noite pararia o relógio assim que sentasse ao redor de uma mesa com amigos queridos, uma cervejinha gelada sobre a mesa, alguns petiscos para enganar o estômago e muita, mas muita mesmo, conversa jogada fora. Sabe, acho que de toda "conversa mole pra boi dormir", sempre sai alguma coisa boa, alguma lembrança feliz, algum momento revivido intensamente que nos faz rir, chorar e resgatar todas as emoções que o tal momento nos proporcionou. Tem essa conversa também o poder de deixar que extravasemos todos os sentimentos que ao longo da semana não pudemos fazer, pelas razões óbvias que já conhecemos. E ali, ao lado de pessoas queridas, em momentos de pura descontração podemos fazer isso sem medo e sem vergonha. 
Ah! se eu pudesse.......as viagens, os passeios, as visitas aos amigos que moram longe, esses minutos se tornariam gigantescos. Travaria o relógio, e só voltaria a acioná-lo quando me fartasse completamente.
Ah! se eu pudesse....daria também importância ao trabalho, pois é claro, ele me permitiria fazer tudo isso. Separaria alguns minutos, horas, dias até para me dedicar com muito afinco ao que faço. Trabalharia com amor e prazer.
Ah! se eu pudesse......os momentos de conflito, discussões, problemas......faria o relógio correr tão rápido que num piscar de olhos tudo estaria resolvido.
Mas o tempo não me deixa, ele me diz que posso fazer tudo isso, se quiser, mas ele continua com seu ritmo, independente de minha vontade. Me mostra também todos os benefícios que traz, toda calmaria que só ele consegue me passar, todo conforto para as situações que parecem intermináveis... O tempo não tem dono,seu ritmo é compassado, único....O tempo é soberano.....O tempo é sábio...
Mas, ainda assim, volto eu a pensar que gostaria de poder controlá-lo.
E se pudesse, deixaria que os minutos passassem rapidamente, as horas lentamente, mas os anos......esses
eu deixaria congelados!!!!!!!!!!!

15/03/2011                                                     08:32 horas 

segunda-feira, 14 de março de 2011

FAZ TEMPO QUE NÃO ABRO MEU BAÚ

Preciso urgentemente abrir meu baú. Quero encontrar alguma coisa que tenha sido muito importante, que me faça seguir adiante com ares renovados, com mais energia e mais esperança. Me diz minha intuição que lá em meus guardados vou achar o que procuro. Mas o que exatamente quero encontrar?
Depois de muitas tentativas consigo enfim abrir meu baú, lentamente, revirando, remexendo, tentando retirar as coisas que não foram boas, que me fizeram sofrer, tentando achar coisas que me fizeram sentir alegria, paz, serenidade. 
Me vem logo a lembrança daquela discussão interminável da qual me lembro vagamente, mas sinto me fez sofrer muito. Mais à frente, o reencontro, o happy end, que me devolveu a alegria. Vejo aquela surra que tomei por alguma coisa que não havia feito. Me senti injustiçada, mas não me defendi. Por que não gritei, não me fiz presente e inocente, por que deixei que as coisas acontecessem assim... Meu pai nunca soube que fora injusto comigo.  
 Sinto revivida a dor de dente, a ida ao dentista, a injeção dada sem piedade, o remédio amargo, mas necessário naquele momento. As pinceladas na garganta dadas pelo farmaceutico me dando a sensação de que iria morrer ali em pé. Os benzimentos para as dores de barriga, mau olhado, quebranto, etc. e tal.
O primeiro emprego, o medo de enfrentar o chefe quando algo saia errado, as desculpas esfarrapadas quando chegava atrasada e não tinha um motivo real.
Os romances, o casamento, a chegada dos filhos, a compra da casa própria, os enfeites nela colocados com tanto carinho. Os filhos crescendo, a cada momento uma novidade diferente, andar, balbuciar, falar, crescer, casar e começar tudo de novo.
E depois de tanta busca nos meus guardados vejo uma garotinha sentada na soleira da porta esperando pela chegada do pai. Pai chegando é sempre um bom motivo para justificar uma espera. E vejo essa menina sonhando com a chegada do Papai Noel, depois do Coelhinho da Páscoa,com a visita de Dona Cegonha. Em seus planos de futuro estavam ser acordada com o beijo de um príncipe, ser uma Branca de Neve em meio aos sete anões, fugir da bruxa malvada...madrastas nunca!!
Encantei-me, senti a pureza dos sonhos da garotinha, o brilho nos seus olhos me renovou. Era eu, simples, sem grandes problemas, acreditando em super heróis, desejando ser uma super heroína e casar com um príncipe. E ser feliz para sempre.
Senti vontade de abraçá-la, envolvê-la com todo meu carinho. Me esqueci de mim ao longo do tempo. Esqueci que havia sido assim um dia. Era muito bom sonhar. Era muito bom acreditar em Papai Noel,cegonha, coelhinho......
Querem saber de uma coisa: resolvi que vou novamente retomar esses sonhos, embora nunca os tenha abandonado. Nunca fui muito racional, sempre caminhei pelo terreno do razoável. Mas agora, vou caminhar pelo terreno do sonho, dos super heróis, das fadas e bruxas.
Remexi meu baú, revirei meus guardados, resgatei meus sentimentos, valores essenciais, me reencontrei. E agora, sempre vou revirar o meu baú.

14/03/2011                     15:04 horas



domingo, 13 de março de 2011

CAFÉ COM LEITE

Tenho amigos. Amigos de ontem, amigos de hoje, amigos amanhã...terei? Pouco importa. Amigos de ontem serão sempre amigos, por mais distantes que estejam. Lembro com carinho de muitos desses amigos que se fizeram presente em minha vida nos melhores e piores momentos. Me pego às vezes relembrando de alguns que, em especial, por alguma razão qualquer marcaram presença. Lembro-me de uma ocasião em que a dor tomava conta de minha alma me fazendo sofrer demais. Havia eu acabado de perder minha mãe e me sentia também perdida, sofrendo essa dor comum em um momento como esse. Olhava a meu redor buscando alguma explicação para o que acabara de acontecer. E, claro, não encontrava. Agradecia a cada presença e a cada palavra de consolo que recebia mas a dor não passava. As horas passavam lentamente, e, paradoxalmente, parecia que o momento final se aproximava muito rápido.
Havia um sol forte, cheio de energia,mas não conseguia sugar essa energia por mais que me esforçasse. A noite chegou silenciosa, misteriosa, escura; me parecia mais triste que o decorrer do dia. Me senti pior, mais perdida, mais triste ainda. As pessoas se afastaram, se recolheram, poucos apenas ali ficaram tentando consolar a mim e a meus irmãos, que como eu, também buscavam explicações. Em vão. Parece que fazia um pouco de frio, não sei se real, ou se era um frio de alma.
Era muito tarde já, quando alguém chegou e nos convidou a dar uma volta para recuperar talvez as energias que já estavam se rareando. Ao ver a mão estendida aceitei a ajuda e me rendi ao chamado do amigo que socorre. Lá fomos nós, sem rumo, nos deixando guiar pela mão que nos guiava sem perguntas, sem cobranças; apenas nos deixando levar pela doçura do coração amigo.
Levou-nos esse amigo à sua casa e, com muito carinho, nos ofereceu algo para comer. Pobre coitado, estava tentando a todo custo nos tirar um pouco do peso que se deixava abater em nossas costas naquele momento.  A mesa estava farta, com muitas coisas que gentilmente colocara ele para nos mimar. Não sei se comi alguma coisa, não me recordo. Mas me lembro do café com leite quente, que logo no primeiro gole, me aliviou. Era como se algo dentro de mim se tornasse mais quente, menos doloroso. Senti um certo alívio, era como se me renovasse. Olhava ao redor e nada do que vi me marcou. Mas o café com leite ficou em minha memória para sempre.
Tempos depois, muito tempo depois, esse meu amigo teve também seus problemas, seus sinais de fraqueza, de comprometimento. Soube por amigos que sua situação não era nada boa. Senti uma necessidade de lhe retribuir aquele carinho de tempos atrás. Queria lhe oferecer uma café com leite quentinho para tentar lhe aliviar a dor. Fiz como pude, do jeito que consegui, indiretamente, se é que se pode assim falar.
E, encontrando com ele depois, me falou esse amigo que aquele pequeno e singelo carinho que indiretamente lhe fiz havia sido reconfortante. Havia lhe dado forças, energia. Não sabe ele como fiquei feliz. Havia conseguido lhe retribuir o que mais de trinta anos atrás havia eu recebido dele.
Espero que ainda haja tempo para tomarmos um café com leite quentinho neste ou em um outro plano que ambos não conhecemos, mas sabemos que existe.
Estas palavras são para um amigo querido, que não preciso aqui citar o nome mas que ele sabe perfeitamente que é a inspiração que aqui habita.
Com muito carinho


13/03/2011                                            23:36 horas

terça-feira, 8 de março de 2011

DIA DA MULHER

Hoje é dia da mulher!!! Por que criaram o dia mulher e não criaram o dia do homem?
Nós mulheres tivemos o privilégio de termos um dia só nosso. Deve e há de ter uma explicação para isso. Merecemos essa reverencia, afinal devemos ser especiais. Melhores não, mas especiais sim.
Lavamos, passamos, cozinhamos, arrumamos a casa, preparamos a comida, fazemos lista de compra de supermercado, vamos ao supermercado, fazemos as comparas, guardamos as compras, preparamos jantares especiais em dias especiais, levamos as crianças para a escola, buscamos as crianças, damos banho nas crianças, colocamos as crianças na cama, ensinamos a rezar, etc.etc.etc.
Vamos para o trabalho, no caminho sempre preparando o jantar ou o almoço (em pensamento), chegamos ao trabalho, ouvimos reclamações, orientações, ordens, desabafos, sentamos diante do computador, damos start às nossas atividades virtuais, despachamos com a chefia, ouvimos lamurias de nossos clientes, arquivamos os papéis que precisam ser organizados em pastas especiais, preparamos reuniões, organizamos agendas, distribuimos tarefas, etc.etc.etc....
Depois de tudo isso, chegamos em casa atordoadas, sempre pensando em alguma coisa que ficou por fazer ou em alguma coisa que deverá ser feita novamente. E aí, deitamos nem sempre sentindo a sensação de dever cumprido uma vez que algo ficou para trás. Sempre fica algo para trás..
Somos assim, mulheres ousadas, atribuladas, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, correndo atrás do tempo e da hora do relógio que sempre queremos que não passe para dar tempo de fazermos tudo o que temos de fazer. Somos mulheres modernas, antenadas, "internautizadas". Somos mulheres do século XXI, onde tudo é mais rápido, muito rápido. Nossa posição passiva de outrora acabou. Agora estamos competindo quase em condições de igualdade com o homem neste imenso mercado de trabalho. Mas ainda continuamos fazendo tudo que nos cabia no passado. A nós ainda cabe a responsabilidade da organização do lar, e conseguimos dar conta de tudo isso. E DE SALTO!!
Agora, pensando em tudo isso começo a entender por que foi criado o Dia da Mulher. Somos, minhas queridas amigas, mulheres maravilhosas, super poderosas. Somos o perfume da flor, o calor  gostoso do sol, a lágrima de emoção que corre na face, o barulho das ondas do mar. Somos a máxima expressão do amor.
Mas, caras amigas, não podemos esquecer também que para sermos tudo isso temos que ter nosso parametro comparativo. Temos que ter um complemento, temos que ter a costela de Adão. O homem é a parte que nos cabe neste latifundio. Vamos render nossas homenagens a eles também.
Mas, é claro, que nós merecemos esse dia, não temos dúvida. Então, vamos curtir muito e aproveitar para fazer o que quase nunca fazemos.....DESCANSAR!!!!
Feliz dia das mulheres!!!!!!
08/03/2011                  08:32 horas