domingo, 24 de setembro de 2017

Meu tio e a Vespa

As férias de Itatinga eram cheias de surpresa e de muitas aventuras. Tio Camal era o marido de tiaq Antonieta, uma das gemeas e nas ferias sempre estavam la na cidade maravilhosa porque ambos eram professores.Tio Camal tinha uma vespa. Vespa era a moto envenenada da época. Nem sei se nos dias de hoje ainda existe uma vespa. Mas como aquela certamente não.  A do meu tio era azul e branca. Linda. Ele também era lindo. Tocava violão e gostava de cantar. Antes de se casarem ele fazia serenatas ao luar para a namorada e eu ficava de dentro do quarto resmungando que queria ir com ele
Pelo menos uma vez por semana tio Camal subia na Vespa e ia para Avaré visitar os pais, Dona Marcilia e Sr. Said. Eles moravam em uma casa e na frente tinham um bazar.E sempre que ia me chamava para ir junto. E lá ia eu subir na garupa da vespa; E lá íamos nos por uma estrada estreita e sem asfalto que em alguns trechos era uma areão que fazia a vespa parecer uma folha ao vento. Se eu sentia medo? Jamais. Já tinha eu passado pela experiencia da roda gigante praieira e a vespa sambando era muito divertido.
Eu gostava de ir descalça, até porque naquele tempo criança andar descalça era comum. Ao longo do caminho passávamos por vários sítios, um mais lindo que o outro. Em vários trechos as frutas brotavam na beira da estrada. Tio Camal parava e colhíamos limões para levar para Dona Marcilia.
Depois de mais ou menos 1 hora de aventura estrada afora lá estávamos nos em Avaré. Mal entrava na casa e já pedia para ir ao banheiro. E Dona Marcilia já sabia o que eu queria: enchia a banheira e me deixar brincar ali dentro. E eu me acabava naquela banheira maravilhosa que me fazia sentir uma verdadeira Sophia Loren no filme Bela e Canalha.  Neif sempre ficava comigo quando estava la. Ela era irmã do tio Camal. Tinha Neif, Jamile e Nassib. Nassib era um galã.
E depois de um banho digno de rainha me vestia e íamos para a mesa tomar cafe. Tomar cafe era apenas uma maneira de dizer porque aquela mesa era uma especie de banquete vespertino. Cafe, leite, pães, manteiga, toddy e uma coalhada seca que fazia qualquer sheik arabe trocar seu reinado por um pote daquela maravilha. Eu não consigo explicar o que sentia mas só de lembrar a boca enche de água e o gosto da coalhada me vem de pronto.
Ali sentávamos,comíamos como se o mundo fosse acabar dentro de instantes.
Depois da comilança e de alguns papos lá íamos nos pegar o caminho de volta para Itatinga. Dona Marcilia sempre pegava um vidro com bolinhas de coalhada seca nadando em azeite de perfume indescritível para que levássemos para as tias.Eu sempre carregava o vidro como se fosse um tesouro e torcia para que ninguém comesse e sobrasse tudo pra mim. Novamente parávamos na estrada para pegar limões dessa vez para levar para Itatinga. Mas isso era mais um mimo que meu tio me fazia pois sabia que eu adorava pegar os tais limões. Em Itatinga tinha uns dois ou três pês de limão sempre carregados.
E no fim da tarde lá estávamos nos de volta à casa do Peo sempre com uma ou outra novidade trazida pelo tio.E eu ficava torcendo para que o próximo dia de ir a Avare chegasse logo e eu pudesse subir na garupa de Vespa e partir para mais uma linda e louca aventura.
Esse foi meu tio Camal Assad Mamud, um professor motoqueiro.  Tio Camal me ensinou que a vida é uma linda aventura e está sempre começando. 
Esteja onde estiver receba meu carinho e saiba que meu coração sempre bate forte quando lembro de você.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ariosto franco

Tio Ariosto era um lorde. Elegante, bonito e educado.E amoroso. Muito amoroso.Logo que ele e tia Thereza se casaram me "adotaram" como sobrinha do coração porque naquele momento eu reinava absoluta. Como ainda não tinham filhos me levavam junto para todo canto.
Lembro bem de um período de ferias que passei com eles em Santos.Não sei exatamente quantos anos eu tinha,  mas era muito pequena. Tão pequena que não alcançava no botão do elevador para apertar no andar deles quando eu subia. Descia para comprar pão e levava uma régua de 30 cm para usar na volta e apertar o tal botão.
Durante o dia tia Thereza me levava à praia  e à noite tio Ariosto me levava para dar uma voltinha.
Num desses passeios pedi a ele que me levasse andar de roda gigante nesses parques de praia. Ele me olhou meio intrigado. e perguntou se não sentiria medo pois a roda era muito alta e a cadeira balançava muito. Disse que sim, sentia muito medo mas se ele segurasse minha mão eu iria.
E lá fomos nós adentrando nessa louca aventura. Não sei quem sentiu mais medo se eu ou ele..Arriscaria dizer que ambos sentimos muito medo.A tal roda era enorme e muito próxima do mar. La de cima conforme ela descia tínhamos a impressão que iriamos cair no oceano e desaparecer para todo o sempre. Eu tremia muito..Até pouco tempo atrás , antes de partir daqui, ele dizia que eu havia sido muito corajosa enfrentando do medo.
Eu estava na 1ª série do ensino fundamental e sonhava ter uma caneta tinteiro com pena dourada para escrever como os adultos.E ele prometeu que se eu passasse de ano me daria uma. Batalhei para fazer jus ao presente que receberia e naquele ano passei em 1º lugar e recebi todos os louros da Profª Maria Julia.
E recebi das mãos do tio Ariosto  uma caneta compactor azul com pena dourada. Era uma preciosidade. Com ela escrevi cartas para minhas primas de Itatinga, escrevi uma carta para meus tios, arriscava fazer algumas lições de casa. Exibia aquela caneta com muito orgulho e dizia para todos quem havia me dado. Tem outro detalhe importante: e4le me deu a caneta com todos os acessórios, um vidro de tinta Parker, e um pacote de mata borrão.
Aquela caneta compactor azul com pena dourada me acompanhou por muitos anos até a adolescência, quando foi severamente condenada pelo nosso cão chamado Banze que não perdoava nada.Sempre tive muito carinho por ela, pois significava muito para mim.
Tio Ariosto já não esta mais conosco. Partiu para outras esferas  um dia nos encontraremos. Mas acho que lá de onde está, debve estar rindo muito com a historia da roda gigante pois sempre a contava para alguém.E se estiver nos sentindo meu tio, receba meu abraço apertados e minhas reverencias.
Esse era meu tio Ariosto Franco, um homem simples, honesto e que me ensinou que só vencemos o medo quando o enfrentamos.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Coisas do destino

Era uma tarde de quarta feira se minha memoria não me engana. Ano de 2016. Precisava comprar alguns materiais para fazer uma reforma e o destino me levou a um lugar onde a principio não era o meu escolhido. Estava entre fios e lampadas quando ouvi meu nome pronunciado de uma foprma tão doce que fez meu coração bater forte. Era ela. Estava ali na minha frente com os olhos espantados e cheios de saudade. Rapidamente voltei mais ou menos 30 anos no tempo. Ali na minha frente estava ela, minha prima Katia, trazendo consigo tantas lembranças, tanta saudade, me fazendo ver a vida correndo entre passado e presente. Passado o espanto nos abraçamos. Não sei dizer quanto tempo ficamos assim mas seguramente foi o abraço mais aconchegante que recebi em toda minha vida. Durante aqueles segundos que ficamos abraçadas voltei quase 50 anos atras e lembrei do dia em que ela nasceu. Foi uma festa. Era uma menina entre dois meninos, era a flor que vinha encantar o jardim. Eu ja era adolescente e ja havia passado da fase do ciumes dos primos, irmãos porque muitos ja haviam me feito sentir isso. Então quando ela nasceu so tive sentimentos bons e compartilhei da grande alegria.
Lembro_me bem da prima bebe. Linda. Tranquila. Era a caçulinha mais paparicada da família. Tio Walter ficou encantado. Ele era muito meigo e acho que sempre quis ter uma menina pra mimar. E mimou. 
Tínhamos algo em comum: nossos pais eram irmãos. E desses muito unidos, pois tinham passado por muitas dificuldades. Mas o destino às vezes não facilita. Tempos depois quando ela era adolescente e eu já adulta tivemos mais uma coisa em comum. Dessa vez não muito boa. Minha mãe e o pai dela adoeceram gravemente e por mais que lutássemos não conseguimos vencer. E eles se foram juntos com poucos meses de diferença. 
Tempos depois por pequenas bobagens cada qual seguiu em paralelas. Sempre lembrávamos uns dos outros mas era como se o tempo tivesse parado la atras. Acho que a dor da perda que tivemos foi tão forte que nos abalou. Eu confesso que sempre sentia muita falta de todos. E também acho que todos sentiam muita falta de mim. Somos afinal uma família e tivemos um exemplo maravilhoso de união entre família que foi nossos pais. Seguiram juntos e devem estar assim até hoje, Nos abençoando e hoje muito felizes por estarmos reunidos novamente. Talvez tivéssemos que aprender com tudo isso.
Sim, tudo isso passou pela minha cabeça naqueles segundos em que ficamos abraçadas eu e a prima Katia. Não me lembro se choramos mas lagrima estiveram rolando naquele momento magico. E depois disso sempre estamos nos falando. 
Falar da prima Katia é fácil porque ela se torna uma pessoa linda, meiga e suas palavras sempre carregam carinho e ternura. E hoje parece que nunca  estivemos afastadas, é como se o tempo tivesse conseguido magicamente reformular toda essa trajetória e tudo voltou a ser como sempre deveria ter sido.
Hoje a priminha faz aniversario. E não imagina como e bom poder lhe desejar parabéns e lhe abraçar retribuindo aquele abraço apertado que você me deu. Você é realmente o anjinho que seu pai dizia ter aparecido na vida dele. Você veio para fazer o bem e distribuir o bem entre as pessoas que ama. Bondade, alegria e solidariedade vem de você de uma forma simples e natural. 
E sendo assim só posso dizer que embora hoje seja seu aniversario quem ganha o presente de te_la aqui sou eu. Obrigada minha prima por ter me dado o melhor abraço de minha vida. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Olha a Cobra!!!!

Itatinga. Inerior de São Paulo. Cidade onde vivi os melhores momentos da minha velha infância. Que cidade linda! Tinha naquela época cerca de 15.000 habitantes eu imagino. Que viviam felizes e prósperos. Os telefones eram raridade. Havia uma central telefônica onde a telefonista chamada Rosália conhecia a todos pela voz.
Lá era a terra do meu avô paterno Pompeu Ruggieri, o Peo. Peo tinha 1,50 m de pura simpatia e carisma. E olha que a vida não tinha lhe facilitado muito. E nas férias era la, na casa do Peo, que todos iam. Filhos, filhas, genros, noras, netos e netas. Lá passávamos a ferias inteiras.
Peo tinha um armazém na cidade onde vendia de arroz a havaianas (com tiras coloridas  para reposição). Era mesmo mais um adorno porque naquele tempo crianças passavam o dia todo descalças.  Sapatos só a noite ou para passear.
A casa do Peo era uma mansão, pelo menos eu enxergava assim. Tinha uma varanda e uma entrada lateral com um portão grande que dava acesso ao quintal. Logo ao entrar pela varanda tinha uma sala que hoje chamaríamos de sala de estar. Pequena com um sofá e o telefone na parede. À direita um quarto grande .Esse quarto tinha uma janela que dava para a rua  onde as tias ficavam ouvindo serenatas dos namorados. E eu ficava junto chorando que queria ir com o tio Camal. Pois bem, seguindo pela direita havia um corredor com mais mais dois quartos, um deles era o quarto do Peo. À direita do corredor havia uma sala imensa, com sofás, mesa de jantar e um relógio cuco cujo passarinho se tornara já meu grande amigo. Nessa sala, tios e tias se reuniam para jogar cartas e jogar conversa fora e ali amanheciam. Eu ficava ali do lado sentada com alguns poucos brinquedos e ouvia a todo instante alguém cochichando sobre minha humilde pessoa. Queriam que eu dormisse mas eu resistia bravamente. Então la vinha o Dr. Wilson, um medico amigo da família, com sua sabedoria acerca de medicina e crianças e me socava um comprimido de.......pasmem.......GARDENAL!!!!! Dizia que fazia dormir rapidamente. Não queridos, nunca sofri nenhuma convulsão. Era a forma rápida que aqueles adultos tomados por uma aura de pragmatismo e eficacia comprovada  se viam livres de uma criança, no caso eu.Imagino que ficavam jogando a noite toda enquanto eu sucumbia sob o efeito do tal anticonvulsivo.
Continuando pela casa mais um corredor com um banheiro à esquerda e uma porta à direita que dava acesso ao armazém do Peo. E ai chegávamos à copa, onde todos sentavam para fazer as refeições. E a esquerda a cozinha onde ficava o fogão a lenha simplesmente maravilhoso.
Não sei como nos dividíamos, pois  embora a casa fosse grande os parentes eram muitos. Tio Mario e tia Lili vinham de Pacaembu com Jose Eduardo e Jose Antonio. Meus pais iam de Santo Andre comigo e Cris. Os outros ainda não eram nascidos.As tias também passavam ferias la. Tia Thereza tinha o Marcos e o Silvio, mas acho que o Silvio ainda não tinha nascido. E tia Antonieta tinha o Camal e o Fernando,mas acho que o Fer ainda não tinha nascido também. tio Toninho também morava la. Era uma diversão só. O quintal do Peo era uma delicia.Tinha pê de mexerica, lima, limão, goiaba, tinha galinheiro e seguindo por uma trilha chegávamos à casa da tia Zina.No galinheiro do Peo tinha uma jabuticabeira enorme que era minha fruta preferida. Como eu era a mais velha fazia inveja aos primos pequenos que não conseguiam subir nas arvores.
Todas as manhãs Peo ia ao galinheiro  recolher os ovos e eu ia junto. Ele conversavam com as galinhas como se as conhecesse uma a uma.E eu ficava ali admirando a competência linguística do meu avo.
As crianças gostavam muito de brincar no quintal do Peo e eu como a mais velha era por vezes incumbida de ficar cuidando dos pequenos.Não tínhamos muitos brinquedos e assim nossa criatividade funcionava bem. Qualquer tampinha de garrafa nos divertia muito.
Um dia estávamos no quintal eu, com uns 6 anos, e meu primo Jose Antonio, o Batata e minha irmão Cris , esses dois com mais ou menos um ano. Nem andavam ainda. Me deixaram incumbida de cuidar dos dois enquanto as mamães cuidavam da comida e das guloseimas. Comíamos no minimo 6 calóricas refeições diárias. E me recomendavam sem´pre que nunca os deixasse sozinhos.
E la estava eu no quintal do Peo tentando entreter os pequeninos. Não me recordo de ter massinha  naquela época então eu mesma preparava uma massinha com terra do galinheiro e água. E os dois se deliciavam. Ficavam conversando naquela linguagem cheia de frases ininteligíveis e alguns grunhidos. Cris era a mais ousada e adorava passar barro no rosto do Batata que ria e aceitava como um carinho. Ja era um cavalheiro desde pequeno. Uma vez no meio da terra apareceu uma formiga no meio da terra daquelas grandes e mordeu o rosto do Batata. O menino danou a chorar e as mães correram acudir. Claro, a bronca era em cima dessa que vos relata a historia.
E estávamos nos no quintal quando o Peo passou em direção do galinheiro. Eu não pude acompanhá_lo como fazia todos os dias pois não podia deixar os pequenos sozinhos.Ai que sina a minha!!!!!! De repente um grito cindo do galinheiro:  "Uma cobra"!!!!!
O grito era do Peo. Meu Deus dei um pulo e sem pensar em nada sai em disparada para dentro da casa e passei triscando pela cozinha em direção ao banheiro onde me tranquei morrendo de medo  imaginando uma jiboia enrolada no Peo engolindo ele todinho. So sai do banheiro quando ouvi a conversa das pessoas sobre a vitoria do duelo entre Peo e a cobra intrometida.
Dizia o Peo: "Hoje vou jogar no bicho e vai dar cobra na cabeça". Vou ganhar.
Sai de mansinho e voltei para meu posto de trabalho sem ninguém perceber  que tinha me afastado e......cade os dois???? Os pestinhas não andavam mas engatinhavam que era uma beleza. E também, de mansinho entraram no deposito do Peo e derrubaram uma porção de coisas que eu tive que arrumar para não ser alvo de um ataque fatal de mães iradas.
Já na cozinha com a situação resolvida e o réptil azarado já habitando outras esferas Peo saiu dizendo que ia fazer o tal jogo de azar ou de sorte.
À noite Peo entrou pela porta espumando de raiva dizendo:
-Cobra maldita, cobra dos infernos.
Diante do olhar patético de todos ele se explicou. Voltava da rua onde fora conferir o resultado do jogo no qual havia depositado todas as suas expectativas. E, pasmem, deu galo na cabeça. Pode isso!!! Eta cobra trambiqueira e traiçoeira. So estava ali no galinheiro para confundir. Esbravejou muito, lamentou o fato de ter dado apenas uma paulada na cobra pois agora sentia vontade de pica_la todinha em mil pedacinhos.
Todos riram muito da historia da cobra no galinheiro. E depois de bastante bate papo  como era de costume, todos foram se deitar com a sensação de mais um dia de dever cumprido. Eu sempre dormia com a cabeça cheia de palnos para o dia seguinte  que seria ser baba pela manhã  e sair com meus primos e primas para masis uma folia.
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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Uma Grande Mulher

Thereza Pandolfo Fanton, para nos a Nona Thereza. Ou simplesmente a Nona. Nona  nunca envelheceu. Desde que me conheci por gente ela sempre foi do mesmo jeito. Alta, esbelta e aos 40 anos tinha cara de 40 e aos 70 tinha cara de 40. Mais ou menos assim. Parece que não envelhecia. Nona era determinada. Assertiva. Não era de falar muito mas uma ordem sua bastava. Nunca vi ninguém questiona-la.  Eu muito menos. Usava sempre saia escura cobrindo os joelhos e sapatos de tecido eu acho. Sempre estava aconchegada em seu quarto. Passava todas as noites quando estava em Itatinga para pedir a benção a ela. Antigamente era um costume do qual não se abria mão.Era sinal de respeito. Até hoje isso é uma das coisas das quais sinto muita falta.  E Nona sempre nos abençoava e aquela benção que nos era dirigida nos fazia muito.bem.
Imigrante italiana casou-se com Nono Emilio e veio para cá em busca de dias melhores. E deve te-los encontrado pois aqui criou sua família muito bem, todos os filhos se casaram e também formaram suas famílias. E os filhos dos filhos e assim por diante conseguiu espalhar boas sementes ao seu redor.
Nona era minha bisavó paterna. e a querida do tio Romeu, seu irmão.Ele sempre falava dela com muito carinho. E falava de minha avó Diva que partiu precocemente sem que eu tivesse tempo de conhece-la também falava com o mesmo carinho

Moravam todos quase todos em um mesmo quintal que ligava as duas casas, uma do vo Peo e a outra da tia Zina onde Nona morava. Tia Zina cuidava dela com muito carinho. Nona sempre estava em seu quarto sentada quieta e pensativa. No rosto marcas de muito sofrimento e muita luta. Uma mulher forte, assim eu consigo me lembrar dela.  A força e a perseverança eram maiores que o sofrimento natural a todos os imigrantes que aqui vieram naquele tempo.  Uma guerreira. Uma lutadora. Uma vencedora. Uma mulher à frente do seu tempo. 
Nona, minha bisa, receba nosso carinho e nosso orgulho por ter você como uma de nossas ancestrais.

domingo, 3 de setembro de 2017

UM LUGAR CHAMADO CANTO DO FORTE


Um lugar simples e aconchegante. Não fosse pelo seu encanto seria apenas um lugar comum. Mas é diferente. Não é comum. Tem certa magia que faz um ser vivente sentir-se especial. O Canto tem encanto!
O céu é azul, com nuances que vão do mais claro ao mais escuro. O mar é verde, por vezes também azul. Depende do humor ou do amor talvez......quem sabe. As ondas só aparecem vez em quando, deixando esse Canto com uma calmaria admirável.
Até o vento, mesmo quando vem forte, não causa nenhum estrago à natureza. Faz as pessoas correrem sorridentes buscando um canto no Canto para se protegerem até que ele passe. E ele passa rapidamente. Iansã esbraveja e solta sua força, mas quando chega aqui no Canto parece que se acalma. Eparrei Iansã!!!!
Na beira da praia podemos ver pequenos peixes que são trazidos pelo vai e vem das águas. Se olharmos fixamente para a linha do horizonte, soltando a imaginação podemos ver golfinhos mostrando seu lindo balé aquático. Outro dia pude observar um movimento vindo lá de onde a vista quase alcança e, por mais que tenha sido contestada, posso jurar que vi um boto. E era cor de rosa. Há quem diga que sereias já foram vistas passeando pelo Canto.
O por do sol nas tardes de verão é um espetáculo inenarrável. Impossível de ser fotografado, impossível de ser visto senão ao vivo. Nessas tarde é como se o mundo todo coubesse aqui no Canto no nosso Canto.
As pessoas do Canto são alegres, sempre andam sorridentes. As vezes me parece que desfilam na linda passarela de areia, sem se dar conta que participam de um grande espetáculo.
Um grupo de pessoas se reúne ali aos domingos. Vão chegando pouco a pouco, sentando ao redor de uma mesa que rapidamente se transforma em cinco, seis outras. Num piscar de olhos o grupo de “um” vira “15”. Eles se multiplicam rapidamente, quase na velocidade da luz.
Em cima da grande mesa vermelha muita cerveja, alguns wiskeys, camparis e guloseimas para enganar o bom e velho estomago que vai passar o dia todo trabalhando a base de álcool.
E assim, obedecendo criteriosamente o horário estipulado, em pouco tempo o grupo todo está reunido comendo, bebendo, conversando e cantando.
Sim, o grupo é cantador. Juntos eles fazem de 1 a 20 vozes. Conseguem se harmonizar a seu modo e no final a mensagem é passada de forma a contagiar os que estão no lugar de meros espectadores. Lentamente a grande roda VIP vai sendo aumentada com a presença desses espectadores que vão chegando e pedindo suas canções.
De Chico Buarque e Tom Jobin a Chico Rey e Paraná, passando por Adoniram Barbosa, Cartola e Grupo Revelação. Dentro do possível todos os pedidos são atendidos pelo paciente Mestre Roberto. Só nunca ouvi ninguém pedir Bach ou Chopin, mas qualquer dia tenho certeza aparecerá uma criatura pedindo para ouvir a 9ª Sinfonia ao pandeiro.
Tem gente de todo tipo. Há o animado, o tímido, o calado, o falador, o sábio, o serio, o emotivo, o fujão, o chorão, o sensível e o sensitivo.
Há o que fala sem pensar
Há o que pensa pra falar
Há o que pensa mas se cala
Há o que nem pensa e nem fala
Tem gente que veio pra ficar
Tem gente que vem e nunca mais
Tem gente que veio pra voltar
Tem gente que já foi pro lado de La.
Sempre que a oportunidade permite os que já partiram são lembrados e homenageados.
Ouvi um dia dizerem que são os VIPS.
Very important person?
Não
Vagabundos Imortais da Praia
-Ah, sim, faz sentido!!!
A olhar assim à distancia passam a impressão de que são felizes. Cada um tem seu jeito próprio de ser, e muitas vezes as diferenças são notadas facilmente. Mas, respeitadas as diferenças, algo em comum fica evidente. Eles se amam. O que todos têm em comum é isso: um grande amor. Devem discordar entre eles, devem discutir entre eles. Mas que ninguém ouse se infiltrar para falar de um VIP. Todos irão se unir para colocar à correr o falante intrometido. Porque os VIPS são assim: Unidos!!!
Estão sempre receptivos aos passantes que se aproximam. O pedágio que pagam esses passantes é um coração repleto de amor e que possa ser compartilhado.
E assim, nesse lugar chamado Canto do Forte os VIPS resolveram ser felizes. Com sol, chuva, vento, frio ou calor eles se unem e se reúnem para comemorar esse lindo espetáculo da vida. “Até virarem pele e osso”
Eu tenho aprendido muito convivendo com esse grupo. Tenho observado um a um e descoberto magicamente que a essa altura da vida eu ainda tenho a possibilidade de conhecer a cada dia novos e bons amigos. Amigos que me fazem crescer, que me fazem sentir que viver é bom e vale muito.
Para os VIPS a vida é muito simples.
Para os VIPS a vida é uma grande aventura e está sempre começando.
E sempre começa num lugar chamado Canto do Forte.
Onde fica esse lugar chamado Canto do Forte?
Fica logo ali, entre o Céu e o Paraiso.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A FABRICA DE DOCES

Sra. Andrezina Fanton. Tia Zina. Morava em Itatinga onde eu sempre ia passar férias. Para ir até a casa delka nem precisava sair, bastava seguir uma trilha que saia do quintal da casa do Peo e desembocava na porta da cozinha da tia Zina. Nessa pequena trilha tinha um verdadeiro pomar, com laranja, mamão, mexerica, limão, pera e goiaba. As frutas pareciam sorrir quando passávamos de uma casa para outra. Na casa tinha um fogão a lenha maravilhoso. E era ali que ela fazia as deliciosas guloseimas que fariam inveja a Palmirinha Onofre. Os tachos redondos eram  os recipientes que abrigariam as frutas que virariam os doces deliciosos. E a colher de pau gigante servia para mexer e remexer até que a guloseima estivesse pronta para ser servida. Acho que seu fogão era magico pois o cheiro que a comida exalava fazia com que as pessoas chegassem lá flutuando feito desenho animado.
Na cozinha tia Zina tinha uma mesa de madeira grande onde colocava uma linda toalha xadrez vermelha e branca. E sobre a mesa aquele café da tarde que mais parecia um banquete e nos convidava a sentar para saborear. Bolos, compotas, queijos e pães. Comíamos muito, primeiro as crianças e depois os adultos.
Tia Zina fazia tudo com muito carinho. Nunca a vi parada. Sempre fazendo alguma coisa, atendendo alguém. Sempre de bem com a vida. Sempre apaixonada pelo seu companheiro a quem carinhosamente chamava de Paulico. Quando ele apontava ela já corria para recebe-lo com uma xícara de cafe. Se não estava cozinhando estava costurando alguma coisa. Era muito habilidosa na arte da costura também. Alias, tia Zina era uma artista em todos os sentidos. 
Não me recordo de ter TV na casa dela. Se tinha acho que ela assistia muito pouco. Via a vida pelas lentes do seu fogão e sua habilidade com a comida fazia dela uma protagonista admirável.
Sem duvida tia Zina foi uma grande pessoa. Acho que só descansou quando a vida lhe faltou. Enquanto teve um fio de vida usou para dar a alguém o que esse alguém precisasse naquele momento Eu tive o prazer de receber muitos mimos dela.
Nunca a vi descansando, estava sempre às voltas com seus afazeres, cuidando das plantas, das galinhas e das pessoas. Assim passava o seu dia. Assim passou toda sua vida.
Cuidava de todos com tanto carinho, com tanta presteza e colocava toda sua sabedoria a serviço do bem.
Descanse em paz minha tia e que os anjos possam lhe mimar como você fez com tanta gente.

agosto/2017