Poesia não é pra qualquer um
Nem pra um qualquer
Tem que ter disponibilidade
Tem que ser ousado, até meticuloso.
Soltar a imaginação, nem se preocupar com as rimas
Ater-se apenas à essencia.
Basta um papel na mesa, um lapis na mão
Ou um bom computador à sua disposição.
Deixar fluir sem rumo o que a alma solta sem censura
Deixar o coração falar, assim ele se cura.
Te que ter também um pouco de dor, seja qual for a natureza
Dor de saudade, dor de amor, mas a dor dá à poeia um pouco de calor.
Ser poeta não é tão dificil, nem tão complicado,
Mas não pode ficar preso à nada, deixar calar o que não te parece caber
Tem que voar, como um passaro
Tem que rastejar como um verme
E entre um ensaio e outro
Às vezes conseguimos om poema despretencioso.
Uma boa dose de lembranças, de amores, de uma paixão
Uma pitada de dor de cotovelo, outra de dor de coração
Fazer a poesia de preferencia à noite
Os dias foram feitos para trabalhar
A poesia do dia é menos intensa,
A lua confere o misterio que lhe faz imensa
Sonhar, devanear, chorar
Tudo isso também ajuda.
Confere maior emoção
Mas o melhor de tudo
É fazer poesia com o coração.
Fazer poesia não é pra qualquer um
Muito menos pra um qualquer.
E assim,vomitando sentimentos que não mais me cabem
Faço um pequeno poema sobre minha dificuldade.
Quero ser poeta ou poetisa?
Não, quero apenas falar a minha dor em forma de versos
E deixar de lado a rima que tanto me escraviza.
Esse espaço é uma pequena homenagem que faço para minha avó materna Sra. Maria Todorov Palma Dias, uma guerreira que lutou pela vida e por todos que amava. Gostaria de poder lhe fazer uma homenagem mais abrangente mas o que posso lhe dar é esse espaço. Criei com muito carinho e nele estão meus melhores sentimentos.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
VOCE
Meiga, precoce, inteligente
Antes de tudo uma grande amiga
Yes, pra ela eu sempre digo sim
Somos amigas, irmãs, parentes
A hora pra nós nunca importa
Rainha, princesa, vilã, bandida e mocinha
Unica no seu jeito de ser
Gentil, educada e, claro, muito bonitinha
Gente boa, gente humilde,gente de casa
Instantes de puro prazer em sua companhia
E que seja sempre assim
Rindo, chorando, brincando, que seja enfim
Imaginação, sonho, realidade e alegria.
Hoje somos duas pessoas em tempos diferentes
Ensaiando coisas, brincando, rindo sem razão
Remando contra a maré, remando a favor
Não pensamos duas vezes, pensamos com o coração
Assim, de forma simples mas sempre com muito amor
Nada nos impede de seguir nossa direção
E sempre que podemos nos falamos sem censura
Simplesmente achamos na conversa uma cura
Sou péssima em versos, mas tentei aqui registrar o grande carinho que tenho pela minha afilhada Maysa Ruggieri Hernandes, antes de tudo, minha grande amiga.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
ROMA - SEGUNDO DIA
Nosso segundo dia em Roma foi lindo.Saímos logo cedo depois de um belo e farto café da manhã e tomamos um ônibus que atende a turistas aventureiros como nós. Demos uma rápida olhadela no roteiro e marcamos alguns lugares para visitarmos. Pensamos em deixar o Vaticano para o dia seguinte.Mas, quando passamos por uma parada e avistamos a Piazza de S.Pietro, não pensamos duas vezes e descemos.
Ali, à nossa frente, havia um monumento enorme do qual durante toda a vida ouvimos falar. Era a casa do Papa e o sonho todos.
O Vaticano é lindo! Enorme! Bob se emocionou mais que eu. Trevi já havia me sugado grande parte da emoção que tinha disponibilizado para a viagem. Mas, não resta nenhuma duvida. É belíssimo. Para entrar é necessário pagar um ingresso ( 12 euros) e isso até me deixou em dúvida. Mas, vir à Roma e não entrar no Vaticano é impossível. Já havíamos aberto mão de ver o Papa, até porque não fazíamos mesmo muita questão disso. Mas não entrar no Vaticano é muito desprendimento.
Pagamos o ingresso e começamos uma viagem ao interior do Vaticano que tanto despertou minha curiosidade em certo período entre infância e adolescencia.
As colunas de mármore sustentam com elegância e delicadeza uma estrutura onde ouro e brilhantes, luxo e riqueza imperam soberanos. O chão, as paredes, as colunas, o teto, tudo é impecável. Meus olhos olhavam emocionados e curiosos todo aquele espetáculo que sempre sonhei, mas nunca imaginei ver um dia. As janelas no alto não eram de vidro, mas sim de mármore translúcido. O mármore translúcido permite a entrada da luz do sol. É um espetáculo que a mão do homem sobre a natureza torna possível. Difícil descrever tanta beleza. Caminhamos algum tempo pelo interior daquele lugar que povoou meus pensamentos e fez parte de meus sonhos. Sentimos uma paz enorme e ficamos maravilhados diante de tudo que víamos. Cada pedacinho esculturado, colorido, bem cuidado. É de tirar o folego.
Ao lado do monumento fica o Museu do Vaticano. Paga-se outra quantia para entrar, mas resolvemos ir também. Lá no Museu não é permitido tirar fotos. Mas, nenhuma maquina conseguiria captar com riqueza de detalhes tudo o que está guardado lá dentro. Os trajes, a maior parte bordado com fios de ouro, não fios dourados, ouro mesmo. As jóias usadas pelos Papas, sacerdotes, ajudantes. Acho que até as mulheres da limpeza vestiam-se com roupas bordadas.
Durante nossa viagem no ônibus de turismo, a guia relatou que o Vaticano fora um dia os jardins da casa de Calígula, que foi posteriormente tomado pela igreja e sabiamente desenhado por Michelangelo. Não conferi essa informação. Mas se assim foi, não foi então à toa que ele se imortalizou. Quando lembrava estar diante de uma obra de Michelangelo sentia um arrepio a me percorrer o corpo. Ficamos ali bastante tempo pois o local é bastante grande e bastante grandioso. Merece uma manhã inteira pelo menos.
Saindo dali voltamos a Termini para ver agora, com outros olhos, o lugar que tanto nos assustou quando chegamos à Roma. Realmente outros olhos agora olhavam para o lugar que já não nos assustava e até já parecia familiar. Entramos, tomamos um café, bisbilhotamos os arredores e descobrimos um pequeno supermercado. Claro que não podíamos deixar de entrar.
Achamos tudo mais barato e resolvemos que compraríamos pão e frios para jantarmos no hotel. Assim economizaríamos e faríamos um programa diferente.
A geladeira onde ficam acondicionados os frios é surpreendente. Tudo muito arrumado e para quem gosta de queijos e embutidos é um festival imperdível.
Enchemos duas sacolas com cerveja, refrigerante, pães e frios e fomos para o ônibus. A guia sussurrou alguma coisa em sua língua quando nos viu entrar. Informou-nos que não podíamos subir ao andar de cima com comidas e bebidas. Ajeitamos as coisas num pequeno espaço que o ônibus oferecia como guarda trecos de turistas aventureiro que compram compulsivamente. Mas o lugar não comportava nem a metade do que trazíamos conosco. A pobre moça teve que ficar segurando nossas latinhas de cerveja o tempo todo pois a cada curva do ônibus elas tentavam escapulir.
Bob disse que estava envergonhado com a situação constrangedora a qual eu, em maior escala, tinha nos colocado. A ideia de comprar aquele monte de coisas foi minha. Eu não me preocupei pois pensei que nunca mais veríamos a tal moça. E não é que no outro dia a encontramos novamente!
Depois de algumas voltas no ônibus chegamos ao hotel para tomar um banho e comer as guloseimas que havíamos comprado. E assim fizemos, comemos, bebemos, descansamos um pouco e de novo andar pela bela Roma.
Refeitos já do dia atribulado fomos andar pelos arredores, dessa vez à esquerda de Trevi. Encontramos a Piazza di Spagna, imponente, bela. Aliás, tudo na bela Roma é também belo. A escada que leva até a igreja era muito grande o que nos desmotivou a subí-la. Sentamos nos degraus, onde muitas pessoas estavam também sentadas. Uma paz enorme nos invadiu e olhando para o lado percebia que as pessoas que ali estavam deviam estar sentindo a mesma coisa. Pausa para um breve descanso, observando o que de eterno existe na cidade eterna. Andamos um pouco por ali e eu quis voltar a Trevi para tomar um gelato. Em Roma existem muitas gelaterias, uma atrás da outra, cada uma melhor e mais bonita. Os sorvetes, em potes, ficam expostos enfeitados divinamente com as frutas do sabor correspondente a cada um deles. Enfeitados divinamente e são extremamente convidativos. Cada gelato "picolo" custa em torno de 2 euros. Mas na Itália quando se fala picolo a coisa é grande. Normalmente um gelato tem dois sabores e é gigantesco.
Bob nunca queria um gelato, sempre dizia que tomaria comigo. Quando eu ia escolher os sabores ele sempre me pedia para escolher outro que lhe agradasse. E assim passamos três dias em Roma e não tomei o gelato de menta que me chamou a atenção pela combinação de cores verde e marrom.
Mais uma vez Trevi fez meu coração bater forte. Nesse dia havia ainda mais pessoas sentadas na escada do que no dia anterior. Eu já me sentia em casa em Trevi. Era como se já conhecesse o lugar há muito tempo, sabia exatamente me locomover ali. Sentia que ali eu não andava, mas sim flutuava. Tinha leveza no andar, alegria no olhar e paz no coração.
Voltamos para o hotel já tarde da noite pela rua estreita que parecia não ser trafegável por carros mas que tinha um movimento normal. Embora já tivesse visto carros passando por ali no dia anterior, fiquei surpresa novamente. Roma tem esse poder de surpreender, de proporcionar a nós, pobres e aventureiros mortais o inusitado, o espetacular. O óbvio parece não ser lugar comum na cidade eterna.
Combinamos de acordar bem cedo e sair para explorar os locais que ainda tínhamos no nosso roteiro de sonho e magia.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
ROMA
A chegada à Roma foi assustadora. Segunda feira, fim de tarde,um calor escaldante. Viajamos desde a manhã,muito cedo e queríamos chegar logo ao hotel para esticar um pouco as pernas.
Assim que o trem parou e descemos, tomamos um susto. Pessoas corriam com malas e pacotes, outras desciam olhando ao redor em busca de uma referencia, o chão forrado de pontas de cigarro, copos de água, papéis.
Estávamos em Roma. Termini. O céu escuro anunciando uma tempestade. Nós ali buscando a saída, Uscita como dizem os italianos, pedindo uma e outra informação, falando vários idiomas juntos e misturados.
Até que após longo e insistente exercício achamos a saída. Mal colocamos os pés na rua a chuva veio. Buscamos um lugar que nos abrigasse até que a chuva parasse e pudéssemos prosseguir até o hotel. Paramos em uma galeria onde várias pessoas também vinham em busca de proteção da água que caía do céu. Ao meu lado um homem moreno, mal vestido, abaixou-se, repentinamente, ajoelhou-se em duração à Meca, eu acho. Ali ficou por algum tempo fazendo suas orações. Acho também que ele pedia que a chuva parasse pois em pouco tempo ela se foi. Deve ter vindo nos dar as boas vindas. Lembrei-me que ouvira falar sempre que quando há uma mudança com chuva é sinal de boa sorte. Esperei que aquele dito popular também servisse para viagens.
Saímos do abrigo improvisado e seguimos pela rua que nos informaram ser a do hotel. Enfim, conseguimos chegar ao local esperado e entramos aliviados e ansiosos por um descanso.
O homem da recepção nos atendeu calorosamente e disse que tinha uma boa noticia. Fiquei preocupada pois, em nosso país quando alguem diz isso numa situação como essa, é uma boa conversa mole para resolver uma situação de conflito.Mas como não tínhamos outra alternativa ouvimos o que o homem tinha a dizer.
Com um tom esfuziante na voz, informou-nos que o hotel que havíamos reservado estava lotado, mas que, por serem uma rede grande nos levariam para outro com mais estrelas, melhor localização e pelo mesmo preço. Estávamos tão cansados que não conseguimos nem discutir e aceitamos a nova condição.
Confesso que fiquei um tanto frustrada pois havia passado dias trabalhando em cima de mapas e traçando rotas para nossos passeios tendo como ponto de partida aquele lugar. Como seria agora? Não tínhamos a menor ideia de onde iriam nos hospedar e como carregamos aquela velha tradição de que a conversa mole serve para resolver situações de conflito e impasses ficamos calados durante o trajeto até o novo hotel. E durante o trajeto,seguimos acreditando que tínhamos "tomado na cabeça".
Quando chegamos ao novo hotel o recepcionista nos atendeu gentilmente e já nos aguardava. Ainda receosos perguntamos várias vezes ao bom homem chamado Franco quanto iriamos pagar, se teríamos direito à utilização da internet, enfim,queríamos saber se realmente tínhamos tido uma boa noticia.
Todas as informações dadas por Franco nos faziam crer que sim, havíamos feito um bom negocio.
O hotel nos pareceu simpático. Fomos para o quarto no segundo andar de um prédio antigo. Entramos no elevador eu, Bob e três malas. Era a capacidade máxima, acho até que ultrapassamos.
A escada toda em madeira, carpete vermelho no chão, papel de parede decorado atentando para um estilo neo clássico. A casa deve um dia ter sido habitada por reis e rainhas, príncipes e donzelas e hoje lá estávamos nós.
Entramos no quarto e corri abrir a janela para tomar um pouco de ar. A rua era um tanto barulhenta, mas tinha algo de encantador. refeitos do impacto da chegada começamos a olhar o que de belo podíamos encontrar.
Começamos a fazer um exercício para saber exatamente onde estávamos. Avistamos a Fontana de Trevi,o Monumento Vitorio Emmanuelle e assim fomos aos poucos retomando nosso sentido. Percebemos, enfim, que estávamos em Roma
Ajeitamos as malas e tomamos um banho para nos refrescarmos. Bob tirou todas as roupas da mala ajeitando-as em gavetas. Eu apenas coloquei minha mala sobre uma cadeira sem tirar nada de dentro. Detesto ter que arrumar e desarrumar malas. Tenho um lado extremamente pragmático que me envolve sempre que saio à passeio.Quero reservar o maior tempo possível para aventurar-me e esperar pelo inusitado.
Depois de refeitos do cansaço da viagem, do choque ao chegarmos em Termini,do susto que provocara a mudança de planos sobre nossa hospedagem, resolvemos andar pelos arredores para conhecer o lugar onde passaríamos os próximos três dias.
Já era noite e antes de sairmos procuramos nos informar sobre a segurança do local. Todos nos diziam que podíamos sair à vontade, pois ali era um lugar tranquilo. Toda Roma era tranquila e sossegada, assim nos diziam.
Seguimos pela rua do hotel, atravessamos uma espécie de túnel que nos levaria à algum lugar interessante, pois haviam muitas pessoas indo e voltando Seguimos apenas alguns metros e o som de agua caindo começou a ninar meus ouvidos.
De repente chegamos à um lugar maravilhoso, onde milhares de pessoas, assim como nós, olhavam embasbacadas aquele espetáculo da natureza modificado pelo homem com muita sensibilidade, dando assim ao lugar uma caracteristica de maravilha do mundo.
Era Trevi. Fontana de Trevi. Estávamos lá. Lembrei, por segundos, de um filme onde Sophia Loren recebia uma declaração de amor ali, em pé em um dos degraus de Trevi. Nunca me esqueci, pois achei a cena emocionante. Abri novamente os olhos e estava agora eu, tantos anos depois, no mesmo lugar. Agora era eu a protagonista.
Ao redor milhares de pessoas de vários países do mundo se encantavam com a beleza indiscutivel. Os anjos, durante o dia rondam as bibliotecas e à noite com certeza, vão até Trevi e lá ficam sobrevoando, brincando nas aguas, cantando e dançando ao som mágico das aguas que vão e vem.
A beleza do local é indescritível. Cada detalhe do mármore entalhado, a grandiosidade do monumento. Tudo perfeito. As pessoas de todos os lugares do mundo se encontram ali, se entreolham, sorriem; parece que conversei telepaticamente com varias pessoas. Algumas nos cumprimentavam com um sorriso, às vezes com um balançar de cabeça e correspondiamos com a classe e a elegância que o lugar merece. Porém, com informalidade. Todos ali pareciam muito felizes. Todos ali pareciam estar tão maravilhados como eu e Bob.
Claro que tivemos que cumprir o ritual e jogar uma moeda pedindo para voltar. Pedi com muita força, pois quero muito voltar à Trevi. Bob também, talvez mais que eu,pois lançou às claras águas a maior moeda que tinha no bolso.
Começamos então a explorar os arredores da Fonte. Muita musica, bares e pizzarias com mesas na rua, pessoas comendo pizza e bebendo vinho ou cerveja. Muitas lojas ao redor vendendo todo tipo de souvenires que nos deixou atordoados. Eu queria ver tudo, sentar em todas as cantinas, curtir a vida boemia que só Roma pode mostrar. Os italianos são bastante acolhedores e nos convidam a sentar. Tivemos vontade de aceitar todos os convites.
Algumas cantinas atendem à luz de velas. Em cada mesa um delicado pote com uma vela acesa e um pequeno vaso de flores. Ao fundo um cantante tocando um violão ou uma sanfona. E as pessoas comendo à luz de velas e ao som de uma boa e bela musica italiana.
As ruas ao redor de Trevi são muito estreitas, parece não dar para passar mais que três pessoas juntas uma ao lado da outra. Mas de repente, surge em meio aquela multidão um carro que passa por um espaço inacreditavel. Tudo isso faz parte da magia da Fonte. A Fonte consegue fazer coisas que cabe aos anjos dimensionar e permitir.
Sentamos em uma dessas cantinas e comemos a especialidade do local: uma bela pizza. Enorme. Mas como a massa é muito fina e a fome grande comemos sem grandes esforços. Acho que só na Itália é possível comer uma pizza desse tamanho.
Andamos mais um pouco para ver uma das lojas chamadas "Enoteca". Vendem macarrão, vinhos, licores. Tudo com uma beleza inigualável. As embalagens delicadas, enfeitadas com muito bom gosto; vinhos e licores de todas as cores e sabores. Biscoitos empacotados em papel de fino trato, sempre finalizados com um laço de bela fita a dar o acabamento.
Já era tarde da noite e Trevi continuava com uma multidão de pessoas. As cantinas continuavam cheias. Percebi que Roma é, realmente, uma cidade que não dorme.
Mas nós precisávamos dormir e voltamos para o hotel. Tínhamos percebido que o recepcionista do hotel havia falado a verdade. Estávamos alojados no melhor local de Roma. Podíamos visitar quase todos os locais à pé.
EU VIVI BEATLES
Anos 60. Cenário politico agitado. Em meio a boatos revolucionários as estações de rádio da época começam a tocar uma música: Help. Todos faziam um breve intervalo para ouvir e em pouco tempo começavam a balançar o corpo seguindo o ritmo "alucinante". Comecei a perguntar pra um e outro, a prestar atenção na letra, para saber quem eram aqueles rapazes que de repente mexiam com meu coração e meu corpo. Beatles, The Beatles. Uma banda inglesa que surgiu arrebentando tudo, e rapidamente tornou-se a maior banda de todos os tempos.
Eu ainda era criança nesse tempo, mas logo que comecei a entrar para a adolescencia ouvia Beatles e ficava apaixonada. Meu primeiro amor foi Paul McCartney. Como era lindo. Acho que não´só meu, mas de todas as garotinhas daquela época. Cantarolava junto ao lado da vitrola todos os sucessos lançados pela banda.No Natal de 65 pedi de presente um compacto duplo (alguem se lembra?), pois LPs eram muito caros. Com as 4 musicas, entre elas Help, eu dancei por muito tempo.
Gostava de me produzir para imitar uma tiete da banda. As condições eram pouco favoráveis, ainda não tinha idade para ter minha própria maquiagem, então tinha que driblar os olhos controladores dos adultos para pegar um batom, um rouge e me produzir. Mas como era bom.
Aqui no Brasil a Jovem Guarda estava no seu auge e eu me dividia entre Roberto Carlos, The Beatles, Erasmo Carlos, Wanderleia. Roberto Carlos com seu sucesso "Calhambeque", também me fez delirar. Ronnie Von, o príncipe, foi também uma de minhas paixões. Meu coração balançava entre Paul e Ronnie. Ora estava na Inglaterra pulando ao som de Help, ora estava na Rede Record cantando A Praça ao lado de Ronnie.
As baladas eram diferentes das que vejo hoje. Geralmente íamos na casa de amigos aos domingos e fazíamos um bailinho na garagem. Eu adorava. Alguém ficava encarregado de fazer efeitos visuais acendendo e apagando as luzes. Os rapazes sondavam rapidamente as garotas e depois de algum tempo elegiam uma para dançar. Dançar de rosto colado. Isso era quase um namoro. Dali para um compromisso era um passo. Quando alguém me tirava para dançar "Yesterday"meu coração disparava. De rostos colados, quase sem falar, apenas ouvindo a respiração do outro. Quando a musica acabava a respiração curta dava lugar a um breve suspiro.
Já beirando 15 ou 16 anos as maquiagens liberadas, claro com algumas reticencias, mas já tinha um batom discreto, meu próprio rouge, clarinho, só para dar um efeito. Tinha já um sapato com saltos, também discretos, pois a idade não permitia nada além de 5 cm.Mas era um salto e isso me bastava. E, acreditem, já podia usar meias finas. Esse era um grande sonho.Agora sim, já podia cantar Beatles, Roberto, Erasmo, Wanderleia e Ronnie vestida como uma verdadeira tiete. Já tinha até um LP o que me permitia ouvir mais musicas sem ter que levantar a todo instante para trocar o disco.
Meus interesses musicais também se lançaram para um horizonte maior. Já era tiete da Bossa Nova e da Tropicália. Meu universo musical se ampliava e Chico agora fazia meu coração bater forte. Gil, Caetano, Gal, Bethania!!!! Minha cabeça dava voltas de tanta emoção. Estilos diferentes, cada musica tinha sua hora certa. Lembrava-me dos festivais, ainda na época em que maquiagens não me eram permitidas. Lembrava-me de Jair Rodrigues, do violão quebrado no palco, de Chico ainda garoto chegando pra se eternizar. Tudo isso agora era um universo único, e nesse universo eu era a tiete principal.
Crescendo mais um pouco, agora já completando a maioridade, aí sim, já tinha minhas maquiagens, meus sapatos de salto, meus perfumes, já tinha autonomia. Já podia dirigir e teria tido grande alegria em dirigir o calhambeque do Roberto. Planejei isso na adolescencia mas meus planos não deram certo. A única coisa diferente que pude dirigir foi uma Rural Willys que meu pai gentilmente me permitiu para matar a vontade.Beatles, Bossa Nova, Tropicalia e Jovem Guarda cresceram comigo. Com o passar do tempo, alguns de meus cantores se foram, a banda se dissolveu, eu amadureci, mas continuei uma tiete.
O tempo passou rapidamente, os anos implacavelmente chegaram e hoje todas essas lembranças me fazem muito bem. The Beatles fez parte da minha infância, da minha juventude e para mim a banda nunca se dissolveu. Junto com os Beatles tenho na memória lembranças de anos dourados, de tempos onde o ideal estava presente em gestos, em falas, em escritos e, claro, em músicas. Cada musica carregava consigo um ideal, fosse qual fosse. Dancei e cantei Beatles. Sorri e chorei Beatles.
Posso dizer sim, EU VIVI BEATLES.
sábado, 14 de abril de 2012
PACTO
Conhecemo-nos há muito tempo. Já se vão quase 30 anos. No começo encontravamo-nos em fins de semana, aniversários, ou nos reuníamos para conversar e jogar. Umas vezes jogávamos baralho, outras jogávamos conversa fora.
Conversávamos sobre assuntos diversos, coisas de muita importância e coisas sem importância. Mas sempre tivemos grande afinidade, eu acho. Numa dessas conversas fizemos um pacto. Falamos sobre o dia que teríamos que enfrentar a tal "passagem", dia esse que seriamos a atração principal. Ficávamos preocupadas diante da possibilidade de não estarmos devidamente arrumadas a contento para tal evento. Assim, tivemos a idéia do tal pacto. Uma cuidaria de arrumar com pompas e glórias a outra que tivesse a partida primeiro. Falamos de detalhes, de coisas que cada uma gostaria de vestir. Tratamos o assunto com entre meios de comédia mas com seriedade. Eu sempre achei que estaria em boas mãos para ser devidamente ajeitada, caso fosse primeiro. Já ela, confesso que teria certa dificuldade em ajeitá-la como merece, pois ela tem um bom gosto enorme que me faria ter uma responsabilidade também enorme.
Numa outra ocasião tive o carinho de minha amiga derramado em uma simples xícara de chá, que tomei com tanto gosto. Chegávamos do hospital onde recebemos a noticia do falecimento de meu pai. Ao chegarmos na casa de minha irmã lá estava minha amiga, esperando para nos confortar. O chá deu-me uma grande paz e nunca tinha experimentado outro chá com o mesmo sabor. O chá talvez fosse um desses comuns, mas a entrega e o carinho deram a ele um sabor todo especial.
Ela também esteve presente em outro momento de grande importância em minha vida: o nascimento do meu filho caçula. Lá estava ela na maternidade, torcendo para que tudo corresse bem. Lembro-me de que sua presença nesses momentos sempre faziam deles algo recheado de muita paz. Acho que ela sempre me transmitiu muita paz.
Os anos passaram, os filhos cresceram, e nossos encontros começaram a ficar cada vez mais espaçados. Ficávamos anos às vezes sem ter um único encontro, mas toda vez que nos encontramos acabamos por lembrar de nosso pacto. Sempre que existe uma oportunidade de revê-la fico muito feliz. Ela é uma pessoa encantadora, elegante, sempre elegante, com boa maquiagem, roupas adequadas, tem um estilo próprio que sempre admirei. Tem uma voz doce e encantadora, assim como ela. Não anda, desfila. A vida para ela é uma grande passarela por onde ela passa deixando seu charme e sua doçura espalhadas, irradiando assim uma energia da melhor qualidade.
É, ela é minha amiga. Se tem nome? Claro, todos tem um nome e seu nome combina com ela. Tem certa nobreza.Aliás, seu nome significa "a que se admira, a que se completa". Ela se chama Taisa. Ela será sempre a pessoa que sabe exatamente onde e como chegar.
Para minha amiga Taisa que, ainda que não nos encontremos com frequência, é uma pessoa nunca sai de minhas melhores lembranças.. A você, cara amiga, minha admiração e meu amor.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
PORQUE HOJE É CARNAVAL
Enfim, os cinco dias de carnaval estão aí. Hoje é sexta-feira de carnaval, o sol nasce mais cedo
e reluta em ir embora.
Porque hoje começa a grande festa onde tudo é permitido.Passamos 360 dias nos dividindo entre
trabalho, fisnde semana, feriados, natais e novos anos chegando e cinco dias aproveitando tudo
aquilo que só o carnaval permite.
Podemos ousar, abusar, fingir que somos o que nunca fomos um dia ou que fomos um dia o que
nunca mais seremos. \Podemos ser nos mesmos ou qualquer personagem que ousamos criar
para nos fazer sentir bem.
Podemos ser professor ou aluno, gente ou bicho, porque os bichos todos guardados hoje, só hoje podem
sair
Hoje tudo é permitido. Vale rir, chorar, beber, cantar, pular. Aliás, hoje tudo isso é esperado. Posso
sair vestida de macaco ou paquita que ninguem vai reparar.
Porque hoje é carnaval. E só por isso hoje tudo pode. E, sendo assim, vamos aproveitar muito,
soltar tudo o que está preso na nossa garganta e que nos outros 360 dias, por razões óbvias, não
podemos.
Vale tudo, vale que quiser, vale o que vier, só não vale levar a vida muito a sério. O resto vale.
Sabe por que? Porque hoje é carnaval.
Desejo tudo isso e aos mais ousados, mais um pouco ainda, a voces, meus queridos amigos
domingo, 1 de abril de 2012
Sim, eu aceito
E assim voces se casaram. Entre mar e terra, presenteados por um fim de tarde desses que tornam-se um espetáculo. É, a natureza estava a favor, parou tudo para que voces pudessem caminhar lentamente pela areia até chegar ao pequeno arranjo de cortinas brancas com algumas flores para dar certo colorido ao local. Ao fundo o mar, calmo que só, como se dissesse a todos: "Eu também estou feliz".
As ondas caminhavam forte mas respeitavam o espaço e no seu vaivém faziam apenas o murmurio necessário para tornar o ambiente um lugar encantador.
Primeiro os padrinhos, alegres e sorridentes, jovens como o casal que ali escolheram para eternizar seu amor. Depois o noivo, caminhando rapidamente ao ponto de encontro, mas com muita alegria.
As ondas caminhavam forte mas respeitavam o espaço e no seu vaivém faziam apenas o murmurio necessário para tornar o ambiente um lugar encantador.
Primeiro os padrinhos, alegres e sorridentes, jovens como o casal que ali escolheram para eternizar seu amor. Depois o noivo, caminhando rapidamente ao ponto de encontro, mas com muita alegria.
Depois a noiva, linda, mágica, no seu vestido branco com pequeno detalhe de flor à altura da cintura. Um pequeno arranjo nos cabelos castanhos presos. Um bouquet de flores coloridas sutil, como noiva. E ela caminha pela areia elegante e feliz. O maior detalhe da noiva era seu sorriso tão encantador quanto o local escolhido.
Embaixo de palmas ela caminhou até ele que a esperava sorridente e ansioso. A sua amada enfim se entregava a ele com pompas de rainha, ares de princesa e simplicidade de plebéia. De mãos dadas ouviram sorridentes e emocionados as palavras do amigo que lhes dizia em nome de todos e expressava o desejo de nós, que ali assistiamos a tudo também emocionados. Trocaram alianças, beijaram-se, foram aplaudidos, abraçados, abençoados.
Não lhes perguntaram se aceitavam um ao outro. O sim já havia sido dito tantas vezes......Apenas se olharam e seus olhos disseram o sim definitivo. E a noite, que até então aguardava a sua hora de entrar em cena, chegou lentamente e com ela a lua veio também trazer seu brilho e abençoar o casal.
E assim voces se casaram, entre mar e terra, entre noite e dia, entre sol e lua, na presença de pessoas queridas, voces marcaram o inicio de uma linda história de amor. Que assim seja.
E hoje, nossos corações batem forte e em ritmo de compasso descompassado rendendo a voces, Flavia e Fabio uma pequena homenagem.
Guaruja, 31 de março de 2012.
Assinar:
Postagens (Atom)