quinta-feira, 30 de setembro de 2010

OS SAPATOS DO PRESIDENTE

Os pés do homem eram pés simples; acostumados a mover-se livremente dentro dos sapatos na maior parte das vezes, embora sendo velhos,sempre agasalhavam com carinho os pés do homem. Algumas vezes o homem tirava os sapatos e colocava os chinelos confortáveis, fiéis companheiros dos momentos de lazer e descontração. Outras vezes, raras, um outro sapato substituia o velho. Eram ocasiões especiais, festivas. Mas mesmo nessas ocasiões os sapatos do homem eram simples.
Um dia os pés do homem foram acolhidos por um estranho desconhecido. Entraram em pânico. O cheiro era bom, a textura era suave, a cor bonita. Que sapatos!!! Mas, eram muito estranhos. Que ocasião seria essa que trouxe esse ser estranho, com certos ares de arrogancia aqui.... Será que está acpontecendo alguma coisa que não percebemos?
Os pés do homem ficaram algum tempo tentando reconhecer locais, pessoas, situações; mas nada de acharem uma explicação para aquela novidade. Fosse o que fosse nada estavam gostando nada dessa estranha novidade.
Depois de algum tempo puderam perceber qual era a novidade: quem os acolhia agora eram os sapatos do presidente. Eles eram agora pés de presidente. Iriam caminhar por lugares nunca dantes sonhados. Não sabiam se disso sentiam orgulho, se estavam felizes; só sabiam que, de antemão, já estavam saudosos dos velhos sapatos do homem.
Muito tempo se passou, muitos lugares os pés do então presidente pisaram envolvidos por diferentes e belos pares de sapatos, sempre combinando com ternos, camisas, nunca repetidos por muito tempo. Portanto, nunca criaram vínculos afetivos com os pés do presidente.
Até que um dia os pés já a essa altura acostumados com belas vestes, sentiram que algo mais uma vez mudara. Estranhamente começaram a reviver sentimentos já adormecidos, lembranças guardadas na gaveta do velho guarda roupa, que há muito não apareciam em cena.
Sentiram os pés do então presidente uma sensação que também já haviam esquecido, a saudade. Relembraram bons momentos vividos outrora, de lazer, de aconchego numa meia velha, e até que enfim, os velhos chinelos de dedo, companheiros de roda de amigos. Salve presidente!!!
O presidente não é mais presidente, voltou a ser o homem e nós, graças a Deus, somos novamente os pés do homem.
Quanto aos sapatos......continuam sendo somente os sapatos do presidente.

30/09/2010     20:56  horas

O HOMEM, O LEITE E A CRIA

Era uma manhã qualquer, que não me lembro muito bem. Estava sentado envolto em meus pensamento quando de mim se aproximou um homem me pedindo um favor. Apresentou-se como sendo um trabalhador necessitando de ajuda. Disse que precisava de leite para sua filha que havia nascido e, como sua esposa tivera um problema não conseguia amamentar. À princípio, sua história era como outra qualquer que em momento algum merecesse minha nobre atenção.
Tinha pouco dinheiro no bolso, destinado a um compromisso que teria logo mais à tarde. Mas, como me julgava uma pessoa generosa, enfiei a mão no bolso e tirei R$ 5,00, entregando ao homem.
Sua reação foi imediata: devolveu-me o homem o dinheiro que havia lhe dado e me disse que não precisava de esmolas, mas sim de ajuda. Realmente, isso me pareceu ser muito diferente. Pelo menos naquele momento.
Perguntei-lhe o que poderia fazer por ele se não lhe dar o pouco que tinha. Me disse o homem que o leite do qual necessitava sua filha era caro, muito mais do que lhe oferecia; e que só em um lugar distante poderia achar o tal. Precisava além do dinheiro que eu o levasse a comprar o leite. Fiquei olhando como a lhe indagar o que tinha eu com isso. Me disse então que a vida de sua filha poderia ser salva com meu gesto de desprendimento.
Resolvi então atender ao seu apelo; fomos até o local e comprei o leite suficiente para 15 dias. Era tudo que podia fazer naquele momento. Depois......  Havia eu feito a parte que me cabia naquele momento.
Passado algum tempo, surge em minha frente o mesmo homem; agora vinha acompanhado de sua esposa e de sua filha. Vinha ele me devolver o dinheiro que havia gasto para comprar o que tempos atrás era questão de vida ou morte.
Não quis receber o pagamento; se assim fizesse talvez meu gesto não tivesse muita nobreza. Não sei o que senti naquele momento, se orgulho pelo meu gesto ou vergonha pela dignidade do tal homem que hoje sequer lembro o nome.
Só sei que  o homem, o leite e a cria me fizeram sentir que a vida ainda vale a pena!!

Essa história não é minha; roubei-a de um amigo que dentro em breve irá transformá-la em poesia.
Por achar a história muito bonita tomei-a nas mãos e a coloco aqui em forma de homenagem. Portanto
algumas colocações fazem parte da minha imaginação; o fato porém, é verídico.

29/09/2010         21:10

MÃE (Ricardo Rossi)

Mãe é a primeira palavra dita,
e é por ser simples e singela
em um só movimento de boca é dita..."mãe"
E não precisas de outros nomes,
Fulana, siclana, Conceição ou Maria.
Quando geraste a cria...Perdeste o nome
e passa a se chamar somente..."mãe"
E todas as são..."mães"!
De um ou de muitos,
e também de nem um filho gerado,
a vida sempre te põe ao lado,
alguem para te querer de..."mãe"
assim é, por ser esta sua graça e tua sina,
a natureza ensina que mulher é sempre ..."mãe"
Pai se presume, se some, é ausente ou desconhecido?
Pai se é em gozo, mas ninguem se gera sem..."mãe"
mulher pare em dor, ama, educa...cria,
se simplifica e se chama..."mãe"
e por ter Deus assim te criada,
atendera sempre que for chamada,
quando ouvir a palavra..."mãe"

( a minha se chama Ida )

S.C.Sul 05/09/2010 13:16h

Ricardo Rossi

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PAI HERÓI

Meu pai foi meu herói. Nem sei explicar que tipo de herói. Mas foi. Às avessas eu acho. Sim, porque meu pai não era o tipo de pai exemplo. Tinha tantos defeitos, coitado.  Era rude, insensível (se mostrava assim) e sempre me dizia coisas que nem de longe transmitiam algum afeto. Provavelmente não tinha cultivado esse hábito em sua família. Perdeu a mãe muito cedo, teve que sair de casa e buscar seus horizontes. Não tenho nenhuma recordação de infância que possa denotar algum tipo de afeto entre nós. Ele era insensível, pelo menos demonstrava isso.
Cresci ouvindo meu pai dizer que chorar era errado, era um sinal de fraqueza. Sempre exigiu de nós uma frieza que nos fazia sofrer. Mas dizia ele que demonstrar o que sentimos era também um sinal de fraqueza.
Fui crescendo assim, buscando na frieza o esconderijo para minhas fraquezas. Não sei se em algum momento concordei com essa teoria. Mas assim aprendi como sendo o correto.
Com o passar dos anos, a adolescência me trouxe alguns questionamentos acerca de sentimentos, fraquezas, etc. Nunca me conformei com essa teoria. Achava não ser possível alguém passar a vida toda sem chorar, sem sentir. Mas adotei como sendo essa  a forma mais correta de se viver. Pensava como seria quando tivesse filhos e tivesse que dizer a eles que chorar é sinal de fraqueza. Eu sentia vontade de chorar. Às vezes até me fazia bem. Mas nunca pude externar isso.Nem quando sentia dor. Nem quando sentia tristeza. Para chorar havia que se ter uma justificativa muito forte; mesmo assim sempre existiam restrições.
Às vezes, também ao olhar para meu pai achava que de seus olhos poderiam estar caindo algumas lágrimas. Mas nem ousava perguntar, pois a resposta certamente seria negativa.  Mas ouso dizer que por vezes vi meu pai com vontade de chorar. Só com vontade.
Quando perdemos minha mãe, ainda éramos muito jovens, eu meu pai, meus irmãos e minha mãe. Ficamos todos muito tristes. Choramos por obrigação e com medo eu acho, porque já tínhamos gravado na memória que chorar era sinal de fraqueza. Lembro bem que chorei o choro dos justos, como nunca havia tido oportunidade. Lavei a alma. Enfim, tinha um motivo justo e politicamente correto pra chorar.
Algum tempo depois meu pai também teve seus sinais de partida. Ainda era jovem e ainda era implacável nas suas questões sentimentais. O chorar ainda era um sinal de fraqueza; o sentir acho que também era. Mas já eu não me importava tanto com  isso. Já estava adulta, crescida, e do meu jeito, tinha aprendido a contestar essas teorias paternas. Tinha meu jeito próprio de lidar com meus sentimentos.
Tentei bravamente mostrar que amava meu pai e achei que devia mostrar isso a ele. Não sei se consegui. O tempo já tinha corrompido meus sentimentos e os dele também. Mas conseguimos do nosso jeito, do jeito que podíamos naquele momento,trocar alguns pequenos afetos; trocamos experiências afetivas que guardo até hoje na memória. Sua provável partida nos aproximou.
Queria tanto que ele vivesse um pouco mais para podermos resgatar os sentimentos perdidos no tempo da desesperança e do pouco conhecimento; quis muito ter a oportunidade de desafiar os desmandos de meu pai me dizendo que não podíamos demonstrar nossos sentimentos; pedi a alguém que não sei bem quem era que me desse a oportunidade de poder viver com meu pai momentos de puro afeto que a vida me roubara de vivê-los com minha mãe.
Mas acho que já era tarde. O tempo passou e a hora da partida de meu pai já estava marcada. Não adiantavam meus lamentos, orações, queixas, nem sequer arrependimentos dos momentos que deixamos escapar por mera distração. O acaso não nos protegeu quando nos distraímos. Num piscar de olhos, meu pai disse adeus e eu lhe respondi. Não choramos. Mas naquele momento, talvez o mais marcante de nossas vidas, trocamos uma energia que um único nome pode ter: Amor.
Meu pai, que outras vidas realmente existam para que possamos nos reencontrar e viver o enorme amor que nos foi roubado não sei quando e não sei porquê.

Para meu pai, que tanto amei mas que por seu descuido nunca pude demonstrar.

29/09/2010  -   22:36

O QUE EM MIM SE ESCONDE

Meu amigo me disse que havia escolhido um título para meu blog que vinha muito a calhar. Realmente, muita coisa havia dentro de mim que se escondia, que nem eu mesma sabia. Resolvi, a tempo, colocar para fora todas essas coisas, uma boas, outras ruins, mas que são sentimentos que não podem ser guardados 'ad eternum.' Devem ser repartidos com outras pessoas para que se tornem menores, quando sejam ruins e que espalhem alegria, quando sejam bons. Descobri que não era assim tão boa e generosa quanto acreditava ser.
Há dentro de mim sentimentos ruins, muito pouco nobres. Mas acho que dentro de todos nós existe um lado obscuro, às vezes até tenebroso. Não gosto de tê-los comigo; mas tenho e quando são colocados para fora melhor que sejam em forma de poesia; ficam mais leves, se é que assim possam ser descritos.
Há dentro de mim sentimentos bons, nobres. Acho também que dentro de todos nós existe esse lado brando e morno, acolhedor, até mesmo sublime.
Talvez essa seja a graça da vida. Há que haver a ponderação nos sentimentos. Feios, rudes, grosseiros, nobres, dignos, sentimos e pensamos tudo ao longo da vida.  Não somos flores de plástico, que enfeitam mas não tem vida.
Somos passageiros da vida, buscando cada um sua felicidade, buscando cada um a seu modo estarmos cada vez mais perto da perfeição sentimental. Acho que ninguém jamais alcançará essa meta inatingível.
Vamos continuar buscando dentro de nós tudo aquilo que possa vir a ser parte integrante de um mundo melhor, sem preconceitos, sem julgamentos mesquinhos, sem definições politicamente corretas. Sem vergonha e sem juízo.
Vale tudo nessa vida, só não vale ser infeliz.

29/09/2010      20:52

terça-feira, 28 de setembro de 2010

FATO CONSUMADO (Ricardo Rossi)

Já não posso fumar o que eu gosto!
Nem tampouco o quanto eu gostaria
Me contento com quatro tragadas
Seis vezes ao dia

Sigo o rito de modo religioso
Na tragada da fumaça de morte
sugo o incenso divino com sabor de gozo!
e a brasa viva e quente me diz..."DERREPENTE?..."


Mas não importa se já Inês está morta,
o leite derramado,
a vaca no  brejo,
e o cego sem bengala!

O estrago do pulmão
já é fato consumado!

S.André (sem data e hora)

FLORES PARA MINHA MÃE

Há muito tempo atrás, ao voltar da escola, vi um jardim com flores lindas.Não tive dúvida, arranquei uma delas, com delicadeza, mas tirei-a do seu chão. Pensei em dá-la à minha mãe. Achei que ela gostaria. E lá fui eu cheia de razão, com a flor na mão.
Quando vi minha mãe envolta em seus afazeres, estendi a mão com a flor, mas não disse nada. Ela também não.
Algum tempo depois, na minha formatura de primário, recebi meu diploma com louvor. Fui a 1ª colocada da escola. Nem eu sabia que assim seria. Mas claro que fiquei muito orgulhosa. Mais uma vez, fui para casa exibir meu troféu, que devia naquele momento significar a flor de tempos atrás. Como sempre, cheguei, estendi a mão com o diploma e não disse nada. Nem eu nem ninguém. Não houve muito barulho, não era talvez muito importante (não sei se eu ou o diploma).
Passei algum tempo sem pensar mais em flores, até que fui amadurecendo e entendendo as dificuldades de cada um. Passei a perceber que minha mãe era muito sofrida e não havia aprendido a lidar muito bem com sentimentos. Tivera uma infância sofrida.
Minha mãe resolveu estudar e se formou. Na sua formatura lá estava eu, agora adolescente, parada na frente dela sem saber o que dizer. Não me recordo se tinha alguma coisa na mão para lhe dar. Me perguntou ela se não ia lhe dar um beijo. Fui até ela mas não consegui beijá-la, apenas a abracei. Acho que também não havia aprendido a lidar com sentimentos.
Mais algum tempo depois minha mãe adoeceu; ela ainda era muito jovem e eu já era adulta. Vivemos nesse período encontros marcantes. Ficava com ela durante a madrugada assistindo algum filme para o tempo passar mais rápido. Às vezes, ao voltar da faculdade trazia chocolates para ela; ela adorava chocolates. Passei a pentear os cabelos dela; ela era muito vaidosa. Mas mesmo diante disso tudo, nunca nos envolvemos num abraço. Descobri que nós duas não tínhamos aprendido a falar e lidar com sentimentos.
Um único beijo eu lhe dei e foi muito bom, e ela deve ter gostado muito. Era uma ensolarada manhã de setembro.Guardo essa lembrança até hoje e penso que foi um pecado não termos nos reconhecido antes.
Nessa mesma manhã, ensolarada e bonita, comprei flores para minha mãe. Rosas vermelhas eu acho. Várias.
Como sempre minha mãe não disse nada. Dessa vez sequer olhou para mim.
Depositei as flores ao redor do seu corpo antes que o caixão se fechasse e como sempre saí de mansinho.
Até hoje cuido de minha mãe, sempre tem flores lá onde ela está. E fico pensando que um dia tirei do chão uma flor em nome de um sentimento que nunca teve vazão, enquanto havia tempo.

28/9/2010   -   08:00 horas

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

FRASES QUE ADORO

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.
(Antoine de Saint Exupery)

OLHOS QUE CONTAM HISTÓRIAS

Tenho olhos que brilham:
iluminam meu caminho, me fazem enxergar além do óbvio, me fazem ver o que de mais obscuro e profundo existe nas pessoas. Enxergo suas alegrias ainda que chorem, enxergo suas tristezas, ainda que riam; enxergo suas mágoas por mais que neguem. Esse brilho dos meus olhos clareia minha visão e me faz ver além do imaginário.

Tenho olhos que ouvem:
meus olhos conseguem ouvir o lamento, sentir a alegria, a tristeza, a dor e todo sentimento que está ali nos olhos do outro.

Tenho olhos que sofrem:
meus olhos conseguem sentir o que sinto e transmitem isso através de recursos próprios que nem eu consigo entender.

Tenho olhos que riem:
da alegria, da tristeza, da dor, da amargura, do amor, das dores do mundo, das dores dos amigos, até das dores dos inimigos, porque o riso dos olhos faz acalmar e transmite a paz que por vezes se faz necessária nos momentos de dor e que em alguns momentos trazem o bálsamo que precisamos.

Tenho olhos que choram:
sozinhos, com amigos, com boa música, com poesias que tocam meu coração amargurado, com palavras de alguém que magicamente chega e diz algo que me faz muito bem.

Tenho olhos que falam:
e falam sem usar uma única palavra; apenas falam: sem som, mas com magia.

Tenho olhos que contam histórias!!!!


27/09/2010       21:18 horas


MARTHA

Martha apareceu na minha vida quando eu era adolescente. Surgiu um dia levada pelas mãos de minha mãe que adentrou a porta da frente dizendo: "Esta é Martha, minha amiga". Fiquei encantada. Martha era bonita, elegante, exuberante e extrovertida, mas acima de tudo era amiga.
Sonhei e fiquei imaginando que um dia gostaria de ter uma Martha em minha vida. Observava as duas (Martha e minha mãe) rindo, falando de assuntos banais, de assuntos sérios, trocando confidências, chorando, recordando e pensava como eram bonitos esses momentos.
Cresci, sofri, amadureci, e continuei esperando o dia em que traria minha Martha como fez minha mãe um dia (pela porta da frente)
O tempo passou rápido e já tinha esquecido disso, até que um dia algo diferente bateu em meu coração. Demorei muito para entender o que era esse sentimento que me assediava a ponto de me transtornar por não compreendê-lo. Ali, na minha frente, estava uma pessoa que nunca tinha visto, que não fazia parte dos meus planos e que, definitivamente, não trazia consigo nenhuma explicação lógica para me fazer plenamente satisfeita diante das minhas expectativas.
Mas essa pessoa se fazia presente de forma intensa e me fazia recordar aqueles momentos intensos que vivi outrora.
Fiquei feliz, mas ao mesmo tempo triste,por achar que seria pouco provável ter enfim a minha Martha, por ser a distancia geográfica um fator que considerava limitante e restritivo. No primeiro momento chorei. Que droga!!! Tanto tempo esperei e agora que acho que encontrei alguém, esse alguém fisicamente se faz distante.
Por um tempo fiquei tão triste. Mas por pouco tempo. logo percebi que o amor verdadeiro transpõe barreiras de todo tipo, inclusive de distancia.
Obrigada meu Deus, minha Martha apareceu. Não tem raça, cor, religião, nenhuma condição especifica que me chame a atenção. É só minha amiga. Cheia de defeitos como eu sempre quis, porque sendo assim, posso ser um ser errante e pecador
De minha amiga só eu posso falar,porque falo com a voz do coração; seus defeitos só eu posso apontar, porque o faço sem julgamentos. E que ninguém fale dela, pois tomarei suas dores.
A minha Martha é rude, implacável, mas traz em suas palavras o doce da compreensão e do amor que tanto admirei nos idos de minha adolescência.Minha amiga ri e chora comigo, me entende no olhar, e até, pasmem, canta comigo; e ainda, de quebra, sente a minha falta.
Minha amiga não precisa falar nada, basta pensar em mim e já sinto seu carinho, mesmo quando está longe.
Minha Martha vive comigo todos os momentos que me são importantes, por mais insanos que sejam aos olhos do povo do lugar comum.
Minha Martha é doce e encantadora. Sabe, penso nela sempre, nos bons e maus momentos, sempre querendo que ela estivesse ao meu lado segurando minha mão, me dando colo, falando o que realmente eu preciso ouvir.
Minha Martha é tudo de bom!!!
E agora, nesse exato momento, queria muito tê-la ao meu lado.
Minha Martha é tudo de bom, do jeito exato que imaginei há muito e muito tempo atrás. Minha Martha supera minhas expectativas e já se tornou parte integrante da minha vida.
Minha Martha é meu chão, aquele que piso sempre que me sinto infantilmente insegura, sempre que a vida me tira o chão. Ela do jeito dela me faz sentir melhor.
Agradeço sempre por ter tido a oportunidade de encontrá-la nesse plano. Que bom,! Bendito seja aquele que fez com que eu pudesse ter a feliz oportunidade de ter minha Martha antes de migrar para outro lugar que sequer conheço.
Sinto que realmente devemos ter vivido algum momento muito significativo em alguma esfera, pois, nessa vida, temos uma cumplicidade insana que, sem explicação prévia, denota certamente uma vida passada.
Que eu possa minha amiga,viver ao seu lado bons momentos até o fim dos meus dias sempre sentindo que tenho comigo uma pessoa especial pra quem eu definitivamente digo SIM ( nos acertos e nos erros)
Que eu seja também para você uma pessoa especial que mereça seus pensamentos, seus sonhos e seus delírios.
E, modéstia à parte, Deus ou quem quer que seja, foi muito generoso comigo pois me deu minha Martha a tempo de poder viver essa amizade intensa.
Demorei muito para encontrar minha Martha, mas quando a encontrei  ela me veio em dose dupla.
A minha Martha se chama Vera (Adachi e Versutti).

Para minhas grandes amigas, com carinho

25/09/2010   -    0400 horas

LOUCURA X SANIDADE

Há dias penso nisso: quem será que vence essa batalha? Até que ponto somos loucos ou normais? Quem define o que é certo ou errado, o que é correto ou o que é politicamente incorreto?...... Quem é absolutamente normal, a ponto de nunca ter tido um ato  considerado insano.... Quem fala a verdade sempre?......Quem não tem seus momentos de total insanidade?
É, cada um acha que age sempre dentro dos padrões estabelcidos e, digo mais, até o louco acha isso (principalmente o louco). Somos movidos por sentimentos, sentimentos que nos impedem muitas vezes de sermos felizes. Exatamente por não podermos externá-los, porque alguém um dia falou em razão e racionalidade.Falar sobre o que se sente só é permitido se houver uma razão politicamente correta. Sentir simplesmente não basta. Há que se ter a maldita razão, e ela tem que vir acompanhada de mil explicações lógicas que determinem a sua sanidade.
ORA BOLAS!!!!! Que se dane a sanidade, eu quero falar sobre o que sinto, ainda que seja uma grande ou até mesmo uma pequena bobagem. Ainda que algumas pessoas possam ficar chocadas porque a bobagem é tão grande que gera inconformismo. Porque isso que ouvem é um completo absurdo. E, indo além,que acredita em absurdos jura que jamais sentiria assim.
Acredita ser o ser mais descomplicado e são!!!!.......
Bendito seja Raul Seixas e acho que devia estar com esses questionamentos quando escreveu Maluco Beleza e citou sabiamente "procurando a minha maluques misturada com minha lucidez"........
É, depois de pensar e refletir, buscar dentro de toda a literatura e dentro de mim mesma, chego à uma conclusão: 
Quem vence a batalha entre a loucura e a sanidade é o sentimento e quem vence a guerra é a morte.

SETEMBRO/2010 

ÓDIO

Com todas as minhas forças isso eu sinto
Para fazer de conta que está tudo bem, digo coisas; mas minto
Porque irracionalmente e sem explicação
adentrou alguém  em minha vida e quebrou meu coração

Chegou com ares de bondade
brilhando, e de mansinho foi chegando
senti seu brilho me ofuscando
lutei, tentei tirá-la do caminho até usando de crueldade

Como estrela que é, brilhar é sua meta.
Como estrela que sou, brilhar é meu destino.
Mirou na platéia e escolheu a dedo, atirando a sua seta
Acertou no único alvo que não deveria e cometeu um desatino

Talvez disso voce nem tenha conhecimento
E provavelmente, nunca disso terá ciência
Mas o que esse grande tormento me alivia
É saber que, no fundo, também você por mim não nutre grande simpatia

Coisas de outras vidas talvez se façam presente
Nesse episódio sem um fim certo
Mas o que é certo é que claramente
Meu sentimento por ti, do ódio está perto

Que ironia do destino
Me coloca você em posição ingrata
Que para minha própria felicidade
Se não torço por você, quem eu amo me mata

Será essa uma luta sem fim
Por termos, cada uma de nós, sua grandeza
Hoje talvez, tenha eu perdido uma batalha
Mas a guerra, não perco: COM CERTEZA!!!


Para alguém, personagem de certa forma fictícia, mas que se tornou parte integrante dos meus pensamentos. Ironicamente, com carinho, lhe dedico a primeira poesia que fiz em minha vida.

25/09/2010   -    10:00 horas

HOJE É DIA DAS MÃES


Hoje é dia das mães.
Há quem diga que foi um dia criado para os comércios alavancarem grandes vendas. Considerado também como o segundo melhor dia em termos de venda, só perdendo para o natal. Há quem diga que todos os dias são dias das mães. Há quem considere que esse dia não é tão significante, exatamente por aceitar como verdade todas essas teorias.
Mas a verdade é que aprendemos que hoje é dia das mães e que por alguma razão que não tem nada a ver com essas teorias devemos comemorá-lo. Devemos estar junto,presentear e falar do que sentimos, mostrar que somos gratos, mesmo que hajam restrições,ainda que isso não seja completamente verdade.
A mãe do novo milênio é moderna, independente, sai às ruas, vai à luta, deixou de ter a passividade de outrora para se encaixar na sociedade de uma maneira diferente e às vezes, para os olhos do mundo, deixou de ser a mãe de padrões de contos de fadas. Essa mãe, muitas vezes, não consegue dar conta de tudo por estar envolvida no seu novo papel exigido pela própria vida. E que vida!!!
Mas será que essa nova imagem de mãe é mesmo assim? Será que essa mãe do novo milênio não continua sendo a mesma mãe, não continua guardando na sua essência todos aqueles valores de outrora? Seria ousado dizer que essa mãe do novo milênio não tem suas preocupações aumentadas em virtude da quantidade cada vez maior de estímulos negativos que rondam por aí? Seria mais ousado ainda dizer que essa mãe do novo milênio ama tanto quanto a mãe da Chapeuzinho Vermelho?
É,minhas amigas, somos mães do novo milênio!!!!!
Ousadas, atribuladas, correndo de um lado para o outro, mas somos MÃES. Mudamos talvez nossa postura e nossa imagem, mas o amor não é diferente daquele de outrora.
E a natureza geralmente é bondosa com todas nós, pois se não somos mães, temos mãe. Podemos não ser homenageadas, mas temos a chance de homenagear (ainda que em memória). Ou seja, no baile da vida nunca deixamos de dançar.
Que Deus nos abençoe hoje e sempre, que a luz que nos cerca sempre nos proteja para que possamos dar conta dessa nossa missão sempre com muito amor e muito carinho.
Que possamos ter sempre a incondicionalidade amorosa, para que nunca precisemos cobrar nada, que tudo nos venha de forma natural e acima de tudo, espontânea.
Que tenhamos força para superar todos os obstáculos que surgem a todo instante, causando preocupações e RUGAS!!!!!!

FELIZ DIA DA MÃES

09/05/2010  -   05:00 horas

PRA VOCÊ EU DIGO SIM


Ouvi isso numa música há um tempo atrás. E põe tempo nisso. Gostei!!! Pensei um dia poder dizer isso a alguém especial. Mas teria que ser muito especial. Especial a ponto  de despertar em meu coração sentimentos também especiais.
Mas como seria essa pessoa? Há que ser alguém que mereça ser o primeiro a quem eu diga isso para que a partir de então eu possa dar um start e dizer isso a outras tantas.Há que ser um bom amigo, cheio de defeitos. Não sei bem porque mas acho que bons amigos tem muitos defeitos. Tem que ter paciência para me ouvir; tenho que ter vontade de ligar pra ele e contar as minhas vitórias e tenho que ter liberdade para procurá-lo e chorar as minhas derrotas. Tem que ter as mãos para me estender e me fazer sentir segura, o colo para me acolher, os braços para me abraçar forte quando eu estiver carente. Tem que ter o olhar sublime do amigo que não julga, mas que se solidariza. Pode até subir o tom de voz quando, por algum descuido de mim mesma, eu tiver uma atitude cruel. Se não for pedir demais gostaria que ele compartilhasse comigo alguns de meus delírios. Acima de tudo, teria que trazer consigo seus sonhos e me fazer acreditar que eles valem a pena. Mas, é claro, faria também tudo isso por ele.
O tempo foi passando e disse sim a muitas pessoas, amigos, bons amigos, amigos que viraram passado, amigos que se fizeram presente, amigos que foram boas promessas. O tempo passou tanto e tão rápido que esqueci de olhar com aquele olhar que procura o momento para usar a frase guardada na memória e para ser usada naquele exato momento e para aquela pessoa que coubesse de fato e de forma legítima.
Tantas já passaram e a nenhuma ainda eu dediquei. Será que o esquecimento tomou conta da minha memória afetiva? Será que essa pessoa não virá a tempo de receber esse carinho, essa reverência?
De repente, de forma natural e mágica, me surge um pensamento, me surge uma imagem, e a imagem toma forma, e se transforma e se mostra como me dizendo: SEMPRE ESTIVE AQUI.
Fico feliz, pois afinal e enfim
Posso dizer o que guardo há tanto tempo:
PRA VOCÊ EU DIGO SIM!!!!

Para Ricardo Rossi, meu grande amigo que sempre esteve aqui.

Agosto/2010