Nosso segundo dia em Roma foi lindo.Saímos logo cedo depois de um belo e farto café da manhã e tomamos um ônibus que atende a turistas aventureiros como nós. Demos uma rápida olhadela no roteiro e marcamos alguns lugares para visitarmos. Pensamos em deixar o Vaticano para o dia seguinte.Mas, quando passamos por uma parada e avistamos a Piazza de S.Pietro, não pensamos duas vezes e descemos.
Ali, à nossa frente, havia um monumento enorme do qual durante toda a vida ouvimos falar. Era a casa do Papa e o sonho todos.
O Vaticano é lindo! Enorme! Bob se emocionou mais que eu. Trevi já havia me sugado grande parte da emoção que tinha disponibilizado para a viagem. Mas, não resta nenhuma duvida. É belíssimo. Para entrar é necessário pagar um ingresso ( 12 euros) e isso até me deixou em dúvida. Mas, vir à Roma e não entrar no Vaticano é impossível. Já havíamos aberto mão de ver o Papa, até porque não fazíamos mesmo muita questão disso. Mas não entrar no Vaticano é muito desprendimento.
Pagamos o ingresso e começamos uma viagem ao interior do Vaticano que tanto despertou minha curiosidade em certo período entre infância e adolescencia.
As colunas de mármore sustentam com elegância e delicadeza uma estrutura onde ouro e brilhantes, luxo e riqueza imperam soberanos. O chão, as paredes, as colunas, o teto, tudo é impecável. Meus olhos olhavam emocionados e curiosos todo aquele espetáculo que sempre sonhei, mas nunca imaginei ver um dia. As janelas no alto não eram de vidro, mas sim de mármore translúcido. O mármore translúcido permite a entrada da luz do sol. É um espetáculo que a mão do homem sobre a natureza torna possível. Difícil descrever tanta beleza. Caminhamos algum tempo pelo interior daquele lugar que povoou meus pensamentos e fez parte de meus sonhos. Sentimos uma paz enorme e ficamos maravilhados diante de tudo que víamos. Cada pedacinho esculturado, colorido, bem cuidado. É de tirar o folego.
Ao lado do monumento fica o Museu do Vaticano. Paga-se outra quantia para entrar, mas resolvemos ir também. Lá no Museu não é permitido tirar fotos. Mas, nenhuma maquina conseguiria captar com riqueza de detalhes tudo o que está guardado lá dentro. Os trajes, a maior parte bordado com fios de ouro, não fios dourados, ouro mesmo. As jóias usadas pelos Papas, sacerdotes, ajudantes. Acho que até as mulheres da limpeza vestiam-se com roupas bordadas.
Durante nossa viagem no ônibus de turismo, a guia relatou que o Vaticano fora um dia os jardins da casa de Calígula, que foi posteriormente tomado pela igreja e sabiamente desenhado por Michelangelo. Não conferi essa informação. Mas se assim foi, não foi então à toa que ele se imortalizou. Quando lembrava estar diante de uma obra de Michelangelo sentia um arrepio a me percorrer o corpo. Ficamos ali bastante tempo pois o local é bastante grande e bastante grandioso. Merece uma manhã inteira pelo menos.
Saindo dali voltamos a Termini para ver agora, com outros olhos, o lugar que tanto nos assustou quando chegamos à Roma. Realmente outros olhos agora olhavam para o lugar que já não nos assustava e até já parecia familiar. Entramos, tomamos um café, bisbilhotamos os arredores e descobrimos um pequeno supermercado. Claro que não podíamos deixar de entrar.
Achamos tudo mais barato e resolvemos que compraríamos pão e frios para jantarmos no hotel. Assim economizaríamos e faríamos um programa diferente.
A geladeira onde ficam acondicionados os frios é surpreendente. Tudo muito arrumado e para quem gosta de queijos e embutidos é um festival imperdível.
Enchemos duas sacolas com cerveja, refrigerante, pães e frios e fomos para o ônibus. A guia sussurrou alguma coisa em sua língua quando nos viu entrar. Informou-nos que não podíamos subir ao andar de cima com comidas e bebidas. Ajeitamos as coisas num pequeno espaço que o ônibus oferecia como guarda trecos de turistas aventureiro que compram compulsivamente. Mas o lugar não comportava nem a metade do que trazíamos conosco. A pobre moça teve que ficar segurando nossas latinhas de cerveja o tempo todo pois a cada curva do ônibus elas tentavam escapulir.
Bob disse que estava envergonhado com a situação constrangedora a qual eu, em maior escala, tinha nos colocado. A ideia de comprar aquele monte de coisas foi minha. Eu não me preocupei pois pensei que nunca mais veríamos a tal moça. E não é que no outro dia a encontramos novamente!
Depois de algumas voltas no ônibus chegamos ao hotel para tomar um banho e comer as guloseimas que havíamos comprado. E assim fizemos, comemos, bebemos, descansamos um pouco e de novo andar pela bela Roma.
Refeitos já do dia atribulado fomos andar pelos arredores, dessa vez à esquerda de Trevi. Encontramos a Piazza di Spagna, imponente, bela. Aliás, tudo na bela Roma é também belo. A escada que leva até a igreja era muito grande o que nos desmotivou a subí-la. Sentamos nos degraus, onde muitas pessoas estavam também sentadas. Uma paz enorme nos invadiu e olhando para o lado percebia que as pessoas que ali estavam deviam estar sentindo a mesma coisa. Pausa para um breve descanso, observando o que de eterno existe na cidade eterna. Andamos um pouco por ali e eu quis voltar a Trevi para tomar um gelato. Em Roma existem muitas gelaterias, uma atrás da outra, cada uma melhor e mais bonita. Os sorvetes, em potes, ficam expostos enfeitados divinamente com as frutas do sabor correspondente a cada um deles. Enfeitados divinamente e são extremamente convidativos. Cada gelato "picolo" custa em torno de 2 euros. Mas na Itália quando se fala picolo a coisa é grande. Normalmente um gelato tem dois sabores e é gigantesco.
Bob nunca queria um gelato, sempre dizia que tomaria comigo. Quando eu ia escolher os sabores ele sempre me pedia para escolher outro que lhe agradasse. E assim passamos três dias em Roma e não tomei o gelato de menta que me chamou a atenção pela combinação de cores verde e marrom.
Mais uma vez Trevi fez meu coração bater forte. Nesse dia havia ainda mais pessoas sentadas na escada do que no dia anterior. Eu já me sentia em casa em Trevi. Era como se já conhecesse o lugar há muito tempo, sabia exatamente me locomover ali. Sentia que ali eu não andava, mas sim flutuava. Tinha leveza no andar, alegria no olhar e paz no coração.
Voltamos para o hotel já tarde da noite pela rua estreita que parecia não ser trafegável por carros mas que tinha um movimento normal. Embora já tivesse visto carros passando por ali no dia anterior, fiquei surpresa novamente. Roma tem esse poder de surpreender, de proporcionar a nós, pobres e aventureiros mortais o inusitado, o espetacular. O óbvio parece não ser lugar comum na cidade eterna.
Combinamos de acordar bem cedo e sair para explorar os locais que ainda tínhamos no nosso roteiro de sonho e magia.
Mais um relato bem detalhado que nos faz ver o que lemos. A grandiosidade do Vaticano é algo mesmo indescritível. Quase todo local onde fomos realmente pagava-se para entrar (no Vaticano não pois parece que era um dia livre) tanto que um rapaz dizia a toda hora que em vez de se dizer que todos os caminhos levam a Roma,deveria ser, todas as bilheterias levam a Roma..rs Mas na verdade, tudo valeu a pena ser visto...
ResponderExcluirO que será que visitaram no terceiro dia?
No aguardo do texto..