sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A FABRICA DE DOCES

Sra. Andrezina Fanton. Tia Zina. Morava em Itatinga onde eu sempre ia passar férias. Para ir até a casa delka nem precisava sair, bastava seguir uma trilha que saia do quintal da casa do Peo e desembocava na porta da cozinha da tia Zina. Nessa pequena trilha tinha um verdadeiro pomar, com laranja, mamão, mexerica, limão, pera e goiaba. As frutas pareciam sorrir quando passávamos de uma casa para outra. Na casa tinha um fogão a lenha maravilhoso. E era ali que ela fazia as deliciosas guloseimas que fariam inveja a Palmirinha Onofre. Os tachos redondos eram  os recipientes que abrigariam as frutas que virariam os doces deliciosos. E a colher de pau gigante servia para mexer e remexer até que a guloseima estivesse pronta para ser servida. Acho que seu fogão era magico pois o cheiro que a comida exalava fazia com que as pessoas chegassem lá flutuando feito desenho animado.
Na cozinha tia Zina tinha uma mesa de madeira grande onde colocava uma linda toalha xadrez vermelha e branca. E sobre a mesa aquele café da tarde que mais parecia um banquete e nos convidava a sentar para saborear. Bolos, compotas, queijos e pães. Comíamos muito, primeiro as crianças e depois os adultos.
Tia Zina fazia tudo com muito carinho. Nunca a vi parada. Sempre fazendo alguma coisa, atendendo alguém. Sempre de bem com a vida. Sempre apaixonada pelo seu companheiro a quem carinhosamente chamava de Paulico. Quando ele apontava ela já corria para recebe-lo com uma xícara de cafe. Se não estava cozinhando estava costurando alguma coisa. Era muito habilidosa na arte da costura também. Alias, tia Zina era uma artista em todos os sentidos. 
Não me recordo de ter TV na casa dela. Se tinha acho que ela assistia muito pouco. Via a vida pelas lentes do seu fogão e sua habilidade com a comida fazia dela uma protagonista admirável.
Sem duvida tia Zina foi uma grande pessoa. Acho que só descansou quando a vida lhe faltou. Enquanto teve um fio de vida usou para dar a alguém o que esse alguém precisasse naquele momento Eu tive o prazer de receber muitos mimos dela.
Nunca a vi descansando, estava sempre às voltas com seus afazeres, cuidando das plantas, das galinhas e das pessoas. Assim passava o seu dia. Assim passou toda sua vida.
Cuidava de todos com tanto carinho, com tanta presteza e colocava toda sua sabedoria a serviço do bem.
Descanse em paz minha tia e que os anjos possam lhe mimar como você fez com tanta gente.

agosto/2017







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