domingo, 14 de novembro de 2010

O VERDADEIRO AMOR

Dizem que avó é mãe duas vezes. Não, sei.... Acho que sim. A vi como mãe, como avó, e depois de muito tempo, como filha...  Cuidei de você, como pude e como consegui, como a vida me permitiu.  Acho que poderia e deveria ter feito mais; sinto-me em débito. Tu me destes  muito mais do que merecia; fostes minha mãe, minha conselheira, meu refúgio quando precisei, meu anjo guardião nos momentos inesperados e confusos. Recebi muito mais do que dei. Quando precisei de ti não me faltaste. Sempre estiveste ali presente, batalhadora, me fazendo sentir forte, me fazendo acreditar que a vida  valia muito a pena. Por descuido ou por comodismo não lhe retribuí o justo e merecido. Sinto-me covarde, fraca e até  mesmo injusta.   Tive sempre de ti o chão que precisava e não lhe dei quando ele lhe faltou. Grandes críticas à minha atitude covarde. Tive contigo atitudes cruéis, como se fostes tu uma criança a quem o destino me incumbia de educar.Me esqueci de que fostes tu que me ensinara tudo o que sei hoje, todos os valores dos quais muito me orgulho. Fostes uma batalhadora, uma guerreira, sempre forte e me dando forças que não sei de onde tiravas. A vida lhe tirou o chão e mesmo assim continuastes tua luta por um ideal que não lhe pertencia de direito mas que tomastes em tuas mãos e a ele te rendias a todo momento. Quando parecia  que nada mais restava para te fazer forte, você renascia e sabiamente falava de coisas que faziam nossos corações baterem mais forte.
Não aprendi a lidar com sentimentos, talvez, por esta razão tenha sido muito pouco cautelosa nas coisas que dizia e que acreditava serem corretas. Trazia comigo as lembranças do passado onde os sentimentos eram talvez pouco privilegiados. Mas, acredite, por muitas vezes, quis externar meus sentimentos e se não o fiz foi por mero desconhecimento.  Gostaria muito que o tempo pudesse voltar atrás e que pudesse eu resgatar tudo o que não consegui realizar no tempo certo. Gostaria  muito de lhe falar do meu amor, da minha admiração e do grande carinho que existia em meu coração. Gostaria muito de ter lhe dito o quanto a amava. Não sei se em algum momento meu coração se desracionalizou e pode ser fiel apenas ao que sentia e não sei também se de onde você está pode ouvir ou sentir meu lamento. Tomara que outras vidas realmente existam, tomara que possamos nos reencontrar e tomara que nesse reencontro eu consiga lhe dizer o grande amor que senti por ti

Para minha avó, Maria Todorov Palma Dias, que me ensinou tudo que sei e para quem eu sempre renderei todas as homenagens, com muito carinho, muito amor e muito respeito.

14/11/2010        24:35 horas



Um comentário:

  1. Engraçado que quando eu era mais nova eu a via apenas como a bisavó, uma senhora, uma velhinha que não sabia muita coisa.
    Só depois que fiquei adulta percebi tudo o que essa mulher fez, sua personalidade marcante, inteligência, capacidade de adaptação, enfim, umas das poucas pessoas que posso dizer que admiro, não apenas pq amo, ou pq era minha bisa, mas pq é de fato, alguém admirável.

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