Tio Ariosto era um lorde. Elegante, bonito e educado.E amoroso. Muito amoroso.Logo que ele e tia Thereza se casaram me "adotaram" como sobrinha do coração porque naquele momento eu reinava absoluta. Como ainda não tinham filhos me levavam junto para todo canto.
Lembro bem de um período de ferias que passei com eles em Santos.Não sei exatamente quantos anos eu tinha, mas era muito pequena. Tão pequena que não alcançava no botão do elevador para apertar no andar deles quando eu subia. Descia para comprar pão e levava uma régua de 30 cm para usar na volta e apertar o tal botão.
Durante o dia tia Thereza me levava à praia e à noite tio Ariosto me levava para dar uma voltinha.
Num desses passeios pedi a ele que me levasse andar de roda gigante nesses parques de praia. Ele me olhou meio intrigado. e perguntou se não sentiria medo pois a roda era muito alta e a cadeira balançava muito. Disse que sim, sentia muito medo mas se ele segurasse minha mão eu iria.
E lá fomos nós adentrando nessa louca aventura. Não sei quem sentiu mais medo se eu ou ele..Arriscaria dizer que ambos sentimos muito medo.A tal roda era enorme e muito próxima do mar. La de cima conforme ela descia tínhamos a impressão que iriamos cair no oceano e desaparecer para todo o sempre. Eu tremia muito..Até pouco tempo atrás , antes de partir daqui, ele dizia que eu havia sido muito corajosa enfrentando do medo.
Eu estava na 1ª série do ensino fundamental e sonhava ter uma caneta tinteiro com pena dourada para escrever como os adultos.E ele prometeu que se eu passasse de ano me daria uma. Batalhei para fazer jus ao presente que receberia e naquele ano passei em 1º lugar e recebi todos os louros da Profª Maria Julia.
E recebi das mãos do tio Ariosto uma caneta compactor azul com pena dourada. Era uma preciosidade. Com ela escrevi cartas para minhas primas de Itatinga, escrevi uma carta para meus tios, arriscava fazer algumas lições de casa. Exibia aquela caneta com muito orgulho e dizia para todos quem havia me dado. Tem outro detalhe importante: e4le me deu a caneta com todos os acessórios, um vidro de tinta Parker, e um pacote de mata borrão.
Aquela caneta compactor azul com pena dourada me acompanhou por muitos anos até a adolescência, quando foi severamente condenada pelo nosso cão chamado Banze que não perdoava nada.Sempre tive muito carinho por ela, pois significava muito para mim.
Tio Ariosto já não esta mais conosco. Partiu para outras esferas um dia nos encontraremos. Mas acho que lá de onde está, debve estar rindo muito com a historia da roda gigante pois sempre a contava para alguém.E se estiver nos sentindo meu tio, receba meu abraço apertados e minhas reverencias.
Esse era meu tio Ariosto Franco, um homem simples, honesto e que me ensinou que só vencemos o medo quando o enfrentamos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário