domingo, 14 de novembro de 2010

À MINHA IRMÃ, COM CARINHO

Muitos anos no separam.....muitos e muitos. Quase 15 eu acho. Mas mesmo assim conseguimos nos entender e essa diferença se torna pouco significativa. Temos tanta coisa em comum. Eu a vi nascer.. tão pequenina. Ouvia os adultos dizerem que não vingaria. Nascera fora de tempo. Como se o tempo pudesse determinar alguma coisa; pelo menos era isso que me perguntava naquele momento.Embora não mais acreditadasse em cegonha estava achando muito mágico aquele momento. Iria eu afinal ganhar uma irmãzinha. Estava radiante e feliz.  Era uma adolescente a brincar de boneca...boneca viva... O tempo foi passando e sentia que minha irmã não se afinava comigo. Dizia sempre que eu devia ser adotiva. Não sei se gostava de mim, às vezes achava que não...não me admirava. Mas, no fundo, se parecia muito comigo. Chorava à toa. Naquele tempo eu não chorava muito mas sentia muita vontade. Mas sentia vontade de chorar, acho até que a invejava, pois ela podia chorar e eu não. Ela podia porque era criança e eu não podia porque já era adolescente. A distancia que nos separava era grande. O tempo passou. Muito tempo passou. Ela ficou adulta e eu também já era adulta há algum tempo. Começamos então a trocar alguns afetos e nesse tempo ela já me admirava, pelo menos, assim eu sentia. O tempo havia passado muito rápido e a distancia que nos separava no passado já não era mais significante. Se tornara ínfima, pequena. Começamos a trocar experiências afetivas que guardo na memória com muito carinho. Dedicou-me ela algumas reverencias das quais muito me orgulho. Deu-me a grande honra de ser madrinha de sua filha, coisa que ela sabia que muito me faria feliz. E assim foi, e assim é.. sinto a grande felicidade de ter como minha afilhada sua maior arte que é a arte da procriação,  o fruto bendito de sua união tão abençoada por mim, como se esse poder eu tivesse!!!!
Tempos e tempos nos separam, muitos anos de distancia, mas hoje somos quase iguais. Choramos por bobagens, rimos também por bobagens. Somos, por vezes., dramáticas, por outras, frias quando a ocasião requer, mas nosso sentimento permanece íntegro e fiel  ao que o momento pede. Gosto dela porque ao seu lado posso chorar sem ser criticada, posso rir muito sem ser questionada, posso sofrer sem razão e posso ser feliz sem medo e sem culpa. Ao seu lado posso ser simplesmente eu, sem pecado e sem juízo.
Não sei se ela sabe o quanto lhe quero bem. Às vezes a vida nos rouba o tempo que dispomos para dizer o que sentimos na hora certa. Nem sempre temos a clareza suficiente para expressar o que realmente sentimos. Falha e descuido talvez. Mas acho importante e urgente que ela saiba o grande amor que por ela tenho desde sempre. Se algum dia não disse foi por mero descuido. Tenho por ela grande admiração, grande respeito e grande carinho.Ela é minha irmãzinha, que vi nascer e crescer e dar frutos e que me deu um de seus frutos a título de homenagem. E por isso lhe rendo homenagens. Hoje e sempre!!!
Para minha querida irmã Adriana, que embora nunca diga clara e explicamente o quanto a amo, tenho dentro de mim um sentimento puro e sincero, como um troféu que exponho apenas a quem realmente merece.

Com todo meu carinho

14/11/2010         23:05 horas


Um comentário:

  1. Esse texto em especial me emocionou muito.
    Ri e chorei ao me identificar em algumas passagens.
    Acho que vc acabou descobrindo "o que em mim se escondia", que nem mesma eu sabia.

    Parabéns pelos textos todos.Gostosos de ler e muito verdadeiros.

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