quinta-feira, 7 de outubro de 2010

EU E AS FLORES

Flores. Não há nada mais bonito e elegante para presentear alguém. Nada mais sublime. Adoro flores, adoro dar flores, adoro receber flores. Enfeitam qualquer ambiente, cabem em qualquer comemoração, alegram na alegria e confortam na tristeza. Rosas vermelhas!! Belas e poderosas, soberbas, falam por si. O simples estender de mãos com uma rosa diz tudo em qualquer país e em qualquer idade!!!
Sempre achei muito bonito colocar flores na sala, enfeitando e perfumando o ambiente. Parece que o mundo fica encantado. Flores e um belo vaso são coisas muito bonitas em qualquer lugar.
Mas que coisa engraçada é a natureza. A natureza da flor é expressar sentimentos, sempre bons; mas, que armadilha o destino impõem às flores. Precisam ser arrancadas do seu chão em nome do amor. Morrem para fazer fluir um sentimento tão nobre. Mas, dizem algumas pessoas que essa é a sua natureza. Morrer por amor!!
Seguindo por essa linha de pensamento fico cá pensando se isso não seria um pouco cruel? Que direito temos nós de tirarmos uma rosa do chão para enfeitarmos um lugar. Não seria seu lugar aquele onde ela está? Não deveria ela morrer no seu tempo, sem ser arrancada, mesmo que com delicadeza, mesmo em nome de um se4ntimento tão forte e profundo? Será que podemos nos dar esse direito. Temos que repensar sobre isso. Temos que dar às flores o direito de viverem o seu tempo, o tempo que lhes é cabido nesta vida.
Invariavelmente, sabemos que nos acompanham desde que nascemos até a morte. Recebemos flores logo que nascemos; a ocasião permite e merece.
Recebemos flores quando morremos. A ocasião também permite e merece.
Pensei muito sobre isso. Não quero flores quando fizer a passagem para a outra vida que me espera, não sei onde, nem como. Não as quero junto a meu corpo frio e trépido, já sem vida. Não quero levar comigo a impressão de que precisei delas para me enfeitar. Devo nesse momento já ter conseguido brilho próprio que a vida tenha então me conferido para delas não precisar. Que as flores fiquem no seu chão, assim como eu fiquei no meu até o momento que me foi permitido.
E assim, quero viver junto com as flores, elas no seu chão e eu no meu. Até o momento que cada uma de nós tiver que partir sem dele sermos arrancadas.

07/10/2010     20:52 horas

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