Sou do tempo da palavra. Do tempo em que a palavra tinha força, peso e valor. Do tempo em que a tinha o poder de determinar algo grandioso. Sou do tempo que a palavra valia por si só, muito mais do que qualquer documento.
Sou do tempo da palavra; da palavra que dizia sobre qualquer assunto, às vezes com um único movimento de lábios. Do tempo em que a palavra escrita ou falada conseguia transmitir profundamente qualquer sentimento, mas era sempre usada de forma incisiva, mas sem machucar...
Sou do tempo da palavra que uma vez dita virava quase lei.; era esse o peso da palavra. A palavra tinha responsabilidade, trazia consigo sempre o encerrar e o iniciar de grandes movimentos. Mas sempre vinha acompanhada de bons sentimentos. Claro, havia também a palavra mal falada, mal construída, mal elaborada, carregada de rancor, de ódio, de outros tantos sentimentos. Mas, não sei se me engano, acho que havia maior cuidado.
Sou do tempo em que ganhar livros era uma reverência. Ler esses livros ganhos era um prazer. Guardá-los era um carinho espontâneo. Lembro-me que encapava meus livros, todos com dedicatória, geralmente de professores.... Lembro-me também da caneta tinteiro que me deu meu tio, sabendo que adorava escrever. Passei a usá-la com orgulho e responsabilidade. Estava eu naquele momento de minha vida usando uma caneta tinteiro!!!!. Era motivo de honra e muito orgulho.
Hoje vejo a palavra sendo usada de forma aleatória, sem muita preocupação, sem muita responsabilidade. Vejo o computador ousando substituir o velho livro de cabeceira, que fazia o sono chegar. Era ele, o livro de cabeceira o responsável pelo sentido da vida do abajour. Todos tinham um abajour para acender na hora da leitura...
Velhos tempos, bons tempos, tempos de palavras inteligentes, uso correto, linguajar bonito de se ler e se ouvir.
Sou do tempo da palavra e até hoje busco em seu sentido o verdadeiro sentido da vida.
17/10/2010 17:18 horas
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