Os pés do homem eram pés simples; acostumados a mover-se livremente dentro dos sapatos na maior parte das vezes, embora sendo velhos,sempre agasalhavam com carinho os pés do homem. Algumas vezes o homem tirava os sapatos e colocava os chinelos confortáveis, fiéis companheiros dos momentos de lazer e descontração. Outras vezes, raras, um outro sapato substituia o velho. Eram ocasiões especiais, festivas. Mas mesmo nessas ocasiões os sapatos do homem eram simples.
Um dia os pés do homem foram acolhidos por um estranho desconhecido. Entraram em pânico. O cheiro era bom, a textura era suave, a cor bonita. Que sapatos!!! Mas, eram muito estranhos. Que ocasião seria essa que trouxe esse ser estranho, com certos ares de arrogancia aqui.... Será que está acpontecendo alguma coisa que não percebemos?
Os pés do homem ficaram algum tempo tentando reconhecer locais, pessoas, situações; mas nada de acharem uma explicação para aquela novidade. Fosse o que fosse nada estavam gostando nada dessa estranha novidade.
Depois de algum tempo puderam perceber qual era a novidade: quem os acolhia agora eram os sapatos do presidente. Eles eram agora pés de presidente. Iriam caminhar por lugares nunca dantes sonhados. Não sabiam se disso sentiam orgulho, se estavam felizes; só sabiam que, de antemão, já estavam saudosos dos velhos sapatos do homem.
Muito tempo se passou, muitos lugares os pés do então presidente pisaram envolvidos por diferentes e belos pares de sapatos, sempre combinando com ternos, camisas, nunca repetidos por muito tempo. Portanto, nunca criaram vínculos afetivos com os pés do presidente.
Até que um dia os pés já a essa altura acostumados com belas vestes, sentiram que algo mais uma vez mudara. Estranhamente começaram a reviver sentimentos já adormecidos, lembranças guardadas na gaveta do velho guarda roupa, que há muito não apareciam em cena.
Sentiram os pés do então presidente uma sensação que também já haviam esquecido, a saudade. Relembraram bons momentos vividos outrora, de lazer, de aconchego numa meia velha, e até que enfim, os velhos chinelos de dedo, companheiros de roda de amigos. Salve presidente!!!
O presidente não é mais presidente, voltou a ser o homem e nós, graças a Deus, somos novamente os pés do homem.
Quanto aos sapatos......continuam sendo somente os sapatos do presidente.
30/09/2010 20:56 horas
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