terça-feira, 15 de março de 2011

CHICO PAROU DE DANÇAR

A menina ganhara um peixe e estava muito feliz. Toda manhã ao acordar, ia lá ver o peixe e conversava muito com ele. Dera a ela um nome: Chico. Chico era um peixe feliz, pois toda vez que a menina se aproximava ele corria de um lado para o outro, dançava para ela, pois essa era a forma que achara para falar com a menina.
Um dia, ao levantar, seguindo seu ritual, lá foi a menina falar com Chico. Chico não se mexia, não dançou para ela. Por mais que ela falasse ele não lhe respondia. A mãe, ao perceber, correu e disse à menina que deixasse o peixe descansar pois estava ele doente. Assim que pode, retirou o peixe, percebendo o que acontecera. Chico havia sucumbido, seu tempo havia expirado. Chico não mais dançaria para a menina.
Ao voltar a menina da escola, a mãe lhe disse que havia levado Chico ao médico e que ele havia ficado internado, pois estava muito doente. Mas que iria sarar, e, assim que se recuperasse, voltaria para casa. E esperaram pelo dia que o dono da loja de peixes conseguisse arruamar um que se parecesse com Chico.
Até que dias depois, o dono da loja (para a menina o médico responsável pela recuperação de Chico) ligou informando que conseguira o peixe substituto. Lá foram elas, mãe e filha, para buscar Chico. Lá chegando o homem explica para a menina todo o processo de recuperação pelo qual Chico passara e a menina ouvia atentamente todas as explicações. Foi então buscar o peixe e entregou à menina que espantada, olhou para o peixe, para o "médico" e disse: Doutor, como ele sofreu, tá tão magrinho!!! Coitado do Chico!!!!
E lá foram elas para casa, a menina lamentando o sofrimento pelo qual Chico havia passado e a mãe sem muitas explicações a lhe dar.
Acho que no fundo, a menina percebeu que algo acontecera com seu peixe e aquele talvez fosse só o substituto do Chico. Mas não ousou se aprofundar nessa questão, preferiu acreditar que era sim o seu Chico. E Chico continuou a dançar para ela todas as manhãs.
Dessa história tiro algumas conclusões:
Verdade e mentira são absolutamente relativas. A cada momento tem elas uma importancia diferente e peculiar.
Podemos acreditar no que quisermos, em se tratando de questões onde magia e sentimento se misturam.
A lógica da criança é tão simples, tão mágica e tão profunda que envolve aos adultos remexendo em seus sentimentos de forma também profunda.
Somos para os outros aquilo que significamos, não o que temos. E significamos aquilos que quisermos.
O amor é soberano e incondicional, pelo menos para os puros...
Mas o importante é que Chico continua a dançar para a menina.........

15/03/2011                                                         09:40 horas

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