segunda-feira, 14 de março de 2011

FAZ TEMPO QUE NÃO ABRO MEU BAÚ

Preciso urgentemente abrir meu baú. Quero encontrar alguma coisa que tenha sido muito importante, que me faça seguir adiante com ares renovados, com mais energia e mais esperança. Me diz minha intuição que lá em meus guardados vou achar o que procuro. Mas o que exatamente quero encontrar?
Depois de muitas tentativas consigo enfim abrir meu baú, lentamente, revirando, remexendo, tentando retirar as coisas que não foram boas, que me fizeram sofrer, tentando achar coisas que me fizeram sentir alegria, paz, serenidade. 
Me vem logo a lembrança daquela discussão interminável da qual me lembro vagamente, mas sinto me fez sofrer muito. Mais à frente, o reencontro, o happy end, que me devolveu a alegria. Vejo aquela surra que tomei por alguma coisa que não havia feito. Me senti injustiçada, mas não me defendi. Por que não gritei, não me fiz presente e inocente, por que deixei que as coisas acontecessem assim... Meu pai nunca soube que fora injusto comigo.  
 Sinto revivida a dor de dente, a ida ao dentista, a injeção dada sem piedade, o remédio amargo, mas necessário naquele momento. As pinceladas na garganta dadas pelo farmaceutico me dando a sensação de que iria morrer ali em pé. Os benzimentos para as dores de barriga, mau olhado, quebranto, etc. e tal.
O primeiro emprego, o medo de enfrentar o chefe quando algo saia errado, as desculpas esfarrapadas quando chegava atrasada e não tinha um motivo real.
Os romances, o casamento, a chegada dos filhos, a compra da casa própria, os enfeites nela colocados com tanto carinho. Os filhos crescendo, a cada momento uma novidade diferente, andar, balbuciar, falar, crescer, casar e começar tudo de novo.
E depois de tanta busca nos meus guardados vejo uma garotinha sentada na soleira da porta esperando pela chegada do pai. Pai chegando é sempre um bom motivo para justificar uma espera. E vejo essa menina sonhando com a chegada do Papai Noel, depois do Coelhinho da Páscoa,com a visita de Dona Cegonha. Em seus planos de futuro estavam ser acordada com o beijo de um príncipe, ser uma Branca de Neve em meio aos sete anões, fugir da bruxa malvada...madrastas nunca!!
Encantei-me, senti a pureza dos sonhos da garotinha, o brilho nos seus olhos me renovou. Era eu, simples, sem grandes problemas, acreditando em super heróis, desejando ser uma super heroína e casar com um príncipe. E ser feliz para sempre.
Senti vontade de abraçá-la, envolvê-la com todo meu carinho. Me esqueci de mim ao longo do tempo. Esqueci que havia sido assim um dia. Era muito bom sonhar. Era muito bom acreditar em Papai Noel,cegonha, coelhinho......
Querem saber de uma coisa: resolvi que vou novamente retomar esses sonhos, embora nunca os tenha abandonado. Nunca fui muito racional, sempre caminhei pelo terreno do razoável. Mas agora, vou caminhar pelo terreno do sonho, dos super heróis, das fadas e bruxas.
Remexi meu baú, revirei meus guardados, resgatei meus sentimentos, valores essenciais, me reencontrei. E agora, sempre vou revirar o meu baú.

14/03/2011                     15:04 horas



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