Era mês de Julho do ano de 1981. Resolvemos passar férias em casa de meus tios em Pacaembú. Fomos eu, Bob, Tiago, Adriana e Alexandre. Pensamos em ir de trem, que era um sonho de meus irmãos que ainda não tinham feito uma viagem assim antes. Como minha mãe havia morrido tinha pouco tempo e meu pai havia se casado novamente nós mimávamos bastante os pequenos.
Começamos a nos preparar, arrumar malas, providenciar máquinas para tirar fotos, etc. Todos diziam que lá fazia muito calor, então não precisaríamos levar roupas quentes. Seguimos as orientações dos mais experientes e preparamos as malas cheias de roupas de verão, como se fossemos passar férias em praia no mês de Dezembro. Apenas Tiago, que ainda era um bebe, teve em sua bagagem cobertores e roupas mais quentes.
Já durante a viagem começamos a sentir um pouco de frio. Eu tinha apenas um casaco que coloquei no bebê para aquecê-lo, os outros ficaram se ajeitando como podiam. Quanto mais nos aproximávamos da cidade mais frio fazia.
Quando desembarcamos a temperatura era tão baixa que mal conseguia ser medida nos termómetros do local que nunca tinha sentido um frio desses. Foi o primeiro ano em que chegou a gear na cidade, quase um fato inédito numa região que desconhecia cobertores, botas, toucas...
Mas todo o frio era compensado pelo calor dos corações das pessoas que nos receberam. A casa muito aconchegante nos acolheu e nos aqueceu. As pessoas nos abraçavam tão carinhosamente que o frio ficava pequeno.
Minha tia saiu comigo uma tarde e comprou um cobertor para o bebê e um perfume. Passou o perfume nele e disse que bebes precisam ficar sempre cheirosos. Colocou-o em seu colo e o embalou carinhosamente. Ela sempre foi muito carinhosa com todos e até hoje deve mimar muito seus netos.
À tarde, tia Lili colocava a mesa para tomarmos café e ali sentávamos e ficávamos contando as novidades entre bolos e guloseimas que ela preparava com todo cuidado.
Quando eu e Bob nos casamos ela nos deu um cobertor enorme para nos aquecer pois dizia que aqui era muito frio. Esse cobertor nos acompanhou por vinte e nove anos, sempre foi meu preferido. Um dia, muito pouco tempo atrás, meus filhos penalizados com a situação de alguém deram meu cobertor embora. Não me conformo até hoje. Espero que ele esteja acarinhando e protegendo do frio alguém que mereça usá-lo.
Voltamos da viagem e todos riam muito quando contávamos que a temperatura lá tinha desafiado a lei da natureza e as previsões dos que a conheciam. Mas apesar do frio a viagem foi ótima e tenho fotos guardadas até hoje. Uma em especial me agrada. Estamos na estação, todos juntos na hora da despedida. Meu tio com Tiago no colo. Guardo essa foto com muito carinho. Guardo essa viagem também com muito carinho.
E meus tios, esses então guardo com o maior carinho do mundo. Eles são especiais.
Esses são meus tios Mario Thiago, o tio Babão e Maria Célia, a tia Lili. Para vocês, meu carinho, meu respeito e minha admiração.
15/04/2011 07:46
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