sexta-feira, 8 de abril de 2011

A SOGRA E O SANTO

Depois de alguns anos de namoro eu e Bob resolvemos nos casar. Marcamos a data e fomos até a casa dele contar a todos nossa decisão.
Durante o almoço, sentados à mesa, falamos sobre a decisão e a data que havíamos escolhido.  Sobre planos futuros, sobre nossas expectativas, nossos sonhos, etc. e tal .
Tudo transcorria normalmente até que, lá pelas tantas, minha sogra me disse:
-Muito bem, agora você pode me devolver o Santo Antonio.
Fiquei pensativa, sem entender do que ela falava até que respondi não saber do que se tratava.
Ela me explicou que tempos atrás me ensinara uma simpatia para fazer o namorado casar. De acordo com essa simpatia devia a noiva roubar da sogra uma imagem de Santo Antonio. Mas que, uma vez marcado o casamento o santo poderia ser devolvido ao dono sem prejuízo à graça alcançada.
Continuei sem entender, pois não me lembrava da tal conversa e nem havia roubado o santo. Eu nem era assim tão devota.
Ficamos algum tempo discutindo o assunto; eu dizendo que não havia roubado o santo e ela me pedindo que eu o devolvesse. Até que meu cunhado Ricardo bateu na mesa e disse:
-Ela já disse que não pegou o santo!
Fez-se um silencio cercado de certo mistério. O que afinal havia acontecido com o santo? Eu me perguntava que destino ele poderia ter tomado; ela deveria estar se perguntado por que razão eu não queria devolvê-lo.
Logo que cheguei a minha casa me pus a rezar e pedir ajuda a fim de localizar o santo fujão.
Pedi a ajuda de São Longuinho que sempre sai em busca de objetos perdidos.
Clamei por Santo Expedito, aquele das causas impossíveis, pois era assim que via a situação no momento.
Chamei Nossa Senhora Desatadora de Nós, na expectativa de que ela pudesse me ajudar a desatar o nó que havia se formado a partir do sumiço do santo.
E, por último, dei um ultimato a Santo Antonio que estava me colocando numa tremenda saia justa  com a sua brincadeira de esconde esconde.
Dias depois o santo apareceu. Não sei se por força de toda a equipe que coloquei à sua caça ou se pelas orações da sogra.
Ele estava atrás do sofá...de cabeça para baixo. Não tenho a menor ideia de como ele foi parar lá nessa posição tão ingrata e incomoda.
Eu nunca havia visto o santo antes desse dia. Mas acho que a sogra até hoje ainda pensa que o santo esteve comigo por um período.
 E que eu apenas encontrei um jeito diferente de devolvê-lo.

08/04/2011                                          19:07

Um comentário:

  1. Até eu fiquei curiosa: como será que o Santo foi parar lá e justamente de ponta cabeça?...rs

    Acho que por conta de coisas assim que Santo Antonio é conhecido como o santo brincalhão.

    ResponderExcluir