A viagem seria longa. Estávamos indo a uma cidade distante visitar nossos primos que moravam lá. Era uma cidade pequena, ainda em início, com poucos requintes de progresso. Pouco urbanizada. Mas estava trazendo muita alegria para os que migraram para lá. Então, resolvemos visitá-los e partilhar um pouco de sua vida. Fomos em quatro pessoas, eu, meu primo e duas primas.
A viagem fora longa e cansativa, quase um dia inteiro. Chegamos lá à tardinha e fomos recebidos com muitos abraços e muita festa. A casa era simples e muito aconchegante. Construção antiga eu acho, daquelas que não tem o forro. Era aquela típica casa de interior, casa de avô e avó. Chão de madeira na sala e nos quartos e de cimento com pontinhos coloridos na cozinha e no banheiro.
Existia muito calor humano na casa e um calor de 42 graus na cidade. Chegamos e já corremos para o banheiro tomar um banho para espantar o calor. Tínhamos que tomar banho frio pois o frio de lá era o quente daqui. Saiamos do banheiro já cheios de suor escorrendo pelo rosto, nos abanando como se acabássemos de sair de uma sauna. Meus primos riam muito, pois já haviam se acostumado com a alta temperatura.
Levaram-nos para conhecer a cidade; fomos até a Prefeitura, visitamos alguns comércios, fomos tomar sorvete na sorveteria da praça. Conhecemos alguns índios que eram moradores das regiões vizinhas. Eu adorei essa aventura. Tudo para eu e minhas primas era novidade.
Numa noite sentamos para assistir televisão e conversar. Meu primo nos contava que a fauna e a flora da região eram ricas. Ainda havia lá muito verde que fazia do local um espetáculo da natureza.
Mas havia também bichos ferozes, pois afinal estávamos no Mato Grosso, isso há quase quarenta anos atrás. Eu ficava bastante curiosa com a possibilidade de ver uma onça, uma cobra daquelas gigantes que até então só vira nos livros. Mas ele dizia também que tinham os bichos "caseiros", quase inofensivos, como aranhas, baratas, morcegos.
Morcego para mim era protótipo de Conde Drácula. Adorava assistir filmes de terror e ver o morcego se transformar naquele homem gigantesco com dois dentes caninos se destacando. Morria de medo mas assistia.
De repente ouvimos um barulho vindo do chão; alguma coisa caíra do teto sem forro e se estatelara no chão rastejando devagar sem rumo certo. E não é que era um morcego?! Fiquei tão pasma que sequer consegui tremer. Não consegui mover um músculo. Não sei exatamente o tamanho do bicho mas representou-me ser gigante e parece que crescia quanto mais eu olhava para ele. Imaginei-o se transformando no Conde Drácula dos filmes de terror e vindo até meu pescoço com os dentes afiados para sugar meu nobre sangue.
Meu primo espantou o Drácula com propriedade, parece que o conhecia e tinha com ele muita intimidade. Passei depois disso, a olhar para cima enquanto lá estive pois sempre ficava com medo do que vinha do alto.
Numa tarde me descuidei e estava andando pelo quintal quando senti uma pancada na cabeça. Fechei os olhos e rezei. Será que Drácula vinha agora para se vingar de mim? Mas eu não tinha feito nada a ele. Foi meu primo que o mandou embora. Abri os olhos lentamente para ver o que tinha acontecido; que ser era esse que caíra em minha cabeça? O que ele queria de mim?
Ah! Que susto! Era só um abacate que caíra do pé e azar o meu se estava em baixo parada exatamente no momento certo em que ele não aguentando mais ficar preso resolveu voar. Naquele instante minha cabeça foi seu chão. Nela ele aterrissou. E daí foi ao chão, para meu alívio e seu descanso.
Até hoje nos lembramos disso e ainda hoje, rimos com essa lembrança, eu e minha prima moradora da casa sem forro.
Nunca mais assisti filmes de vampiros e Dráculas. Não sei se eles existem, mas que um dia eu vi um protótipo de um... isso eu vi.
Meus primos Waldomiro e Ayde um dia foram viver uma grande aventura num lugar distante. Hoje estão de volta morando aqui perto de nós.
Nós, eu, Juceli, Lucia e Antonio Carlos fomos os visitantes aventureiros a lhes levar noticias daqui.
Meus primos Waldomiro e Ayde um dia foram viver uma grande aventura num lugar distante. Hoje estão de volta morando aqui perto de nós.
Nós, eu, Juceli, Lucia e Antonio Carlos fomos os visitantes aventureiros a lhes levar noticias daqui.
08/04/2011 11:17
Nenhum comentário:
Postar um comentário