segunda-feira, 4 de abril de 2011

A CORDA E A CAÇAMBA

Elas nasceram juntas, cresceram juntas, namoraram e quase casaram juntas. Depois  ainda moraram juntas, cada qual com seu marido, na mesma casa. Vivem juntas até hoje. Têm até o mesmo apelido: BEM
Eu era ainda pequena, elas eram jovens. Todas as noites eu ficava esperando que elas voltassem do passeio com os namorados para ouvir suas conversas. Elas vinham sempre com alguma novidade. Falavam só o trivial, contavam pequenas coisas que acontecia com ambas; tomavam um suco, comiam cenoura crua com sal. E eu ficava ali sentada ao lado delas ouvindo atentamente a tudo que falavam.
Gostava muito delas e de seus namorados também. Eu era única, por essa razão todos me tratavam com muito mimo. Passeava com elas e seus namorados por todos os lugares. Sempre me carregavam junto nos passeios.
Seus casamentos foram lindos. Pareciam duas princesas esperando seus príncipes no altar.
-Ah, quero  ter um casamento igual esse, pensava eu.
Ficamos por um tempo morando lado a lado, eu crescia e me tornava adolescente. Elas ainda eram bastante jovens. Nesse tempo já tinham seus filhos. Tiveram então que mudar cada qual para sua casa, pois a família estava ficando grande.
Mas nunca nos separamos, moramos perto, depois longe, depois mais longe, depois perto de novo. Mas nunca importava onde eu morasse, se ficasse doente elas sempre eram  as primeiras a chegar. Se precisasse de companhia teria as duas pelo tempo que precisasse. Porque elas sempre foram assim, sempre me mimaram, sempre me amaram.
Eu também sempre amei muito essas duas queridas. Mas ando em débito; fico consumida pelo trabalho e pelos afazeres do dia a dia que estou deixando passar o tempo, tempo que sei anda ficando cada vez mais curto.  Toda vez que penso nelas, sinto meu coração bater mais forte. Não consigo imaginá-las sem imaginar um bom colo, um carinho cheio de dengo, algumas palavras cheias de mimo e cuidados.  Perto delas eu sempre me sinto criança. Elas tem esse poder mágico, conseguem me remeter lá para minha infância, lembrar de todos os fatos e pessoas que lá estiveram e me foram tão prazeirosos.
Preciso dar mais atenção às duas.  Preciso me fazer mais presente, acompanhar essa nova fase de nossas vidas de perto, como o fiz quando era criança. Preciso dizer como elas foram pessoas importantes em minha vida; como foram e como são. Sim, como são. Posso até estar afastada delas, mas não esqueço nunca.  Precisava urgentemente fazer essa declaração de amor à essas duas titias que sempre fizeram tão bem ao meu coração. Foram minha inspiração quando criança. Foram meu exemplo quando era adolescente. São hoje motivo de grande orgulho para mim.
Para minhas queridas titias Maria Antonieta e Maria Thereza, simplesmente BEM. Foi assim que aprendi a ouvir seus nomes. E não poderia melhor atributo a elas ser conferido.


04/04/2011              19:42

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