Meu primo ia se casar. Que boa noticia. Iríamos viajar para participar da cerimonia. Iríamos para Belo Horizonte.Fiquei radiante.
Passamos à parte que eu até hoje adoro, que é a dos preparativos. Planejar, sonhar, pensar como será a viagem, a expectativa de chegar a lugar desconhecido. Meu espírito aventureiro entrou em êxtase.
Combinamos tudo, quem iria, como iríamos, quando iríamos. Buscamos roupas, sapatos, adornos,bolsas combinando com vestido, sapato. Tudo organizado com muita antecedencia e com muito cuidado.
Reunimos oito pessoas em dois carros: um Gordini e um Dauphine. A viagem seria longa, por esta razão minha tia preparou um bom lanche para comermos na estrada. Pão com manteiga, sardinha, algumas frutas, refrigerantes, guardanapos e até uma toalha que estendemos no gramado para comermos com mais elegância. Tudo perfeito.
Chegamos na cidade à tardinha e logo fomos procurar um lugar para nos hospedarmos. Como o dinheiro era pouco nos dividimos da única maneira possível: homens em um quarto e mulheres no outro.
À noite fomos deitar pois estávamos cansados da viagem. Eu era a única criança; por isso as mulheres esperavam que eu dormisse para poderem conversar. Eu fingia que dormia para ouvir a conversa delas. Girava em torno de náuseas, enjoos, e tudo que se referia à gravidez de minha tia. Acabava depois dormindo pois a conversa era entediante.
Passeamos, conhecemos alguns lugares diferentes, tudo era novidade. Fomos até ao cinema levados gentilmente pelo noivo que teve a preocupação de nos ciceronear.
Mas viemos aqui para o casamento!! E chegou a hora. Nos quartos homens e mulheres corriam para se arrumar, lembravam que haviam esquecido alguma coisa e tentavam substituir por outra. As mulheres ficaram histéricas, sempre correndo em círculos, preocupadas com os cabelos, as maquiagens, os sapatos novos que estavam apertando os pés. A tia grávida andara o dia todo e à noite o sapato não lhe cabia mais. Chorou, todos correram e o sapato acabou entrando. O difícil foi tirá-lo quando voltamos. Ele havia grudado no pé de um jeito que todas as mulheres tiveram que somar esforços para arrancar o sapato sem quebrar o pé.
Corremos para a igreja. Mas era uma capela; até então eu só tinha ido em casamentos em igrejas. Fiquei encantada. Achei lindo. Fiquei muito ansiosa por ver a noiva. Sempre achei que a noiva é a figura mais esperada da festa. O noivo que me perdoe.
Quando a noiva despontou meus olhos se arregalaram. Como estava linda. Vinha vestindo um traje diferente. Não tinha cauda, não era recheado como os que vira até então. Era curto, simples e delicado, ousado pela sutileza de detalhes charmosos e discretos. Naquele momento, imaginei que era assim que queria me casar. Exatamente assim. Tentei gravar na memória aquele modelo. Tentei gravar todos os detalhes, as roupas, a decoração, a música. Tudo me encantou.
Foi um casamento e tanto. Comemos, bebemos, festejamos e depois fomos novamente para o hotel onde nos hospedávamos para descansar e voltar para casa no dia seguinte.
Novamente as mulheres cochichavam enquanto eu estava acordada. Novamente eu fingia estar dormindo para que elas ficassem à vontade. Novamente eu dormia pois a conversa era a mesma.
Voltamos para casa cheios de novidades, cada um querendo falar mais que o outro, tentando contar com detalhes tudo o que tinha acontecido antes, durante e depois do casamento. Eu falava muito pouco pois não sobrava muito espaço. Também não tinha muito para contar.
De tudo o que mais me encantou foi o vestido da noiva.
Muito tempo depois descobri que seu nome, Sílvia, significava originalidade. Atributo bastante apropriado para a noiva mais elegante que conheci.
Muito tempo depois descobri que seu nome, Sílvia, significava originalidade. Atributo bastante apropriado para a noiva mais elegante que conheci.
Quando me casei tentei me lembrar do modelo, mas o tempo já havia apagado de minha memória muitos detalhes. Mas consegui resgatar alguma coisa. Não fiz a famosa cauda, nem as grandes armações para fazerem o vestido ficar gigantesco. Nem aquele monte de brilho. Fiz do jeito que lembrei; mas acho que consegui captar uma coisa: às vezes a elegância está na simplicidade. Sílvia havia me mostrado isso. Ela me ensinou sem falar e eu aprendi sem escutar.
Apenas vendo e copiando...
Esse foi o casamento de meus primos João Claudio e Silvia. Que casamento!
06/04/2011 19:59 horas
Apenas vendo e copiando...
Esse foi o casamento de meus primos João Claudio e Silvia. Que casamento!
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