sábado, 2 de abril de 2011

HORA CERTA

Já falei tudo que queria dizer, do jeito que quis.
Já ri de tudo e de nada, sem medo de esbarrar no ridículo.
Já amei profunda e intensamente, sem medo de me entregar, nem de sofrer, nem de nada.
Já gritei como louca, me fiz de rogada, falei palavrões, usei a linguagem do absurdo.
Já corri para fugir de algo que me assustava. Fui covarde e fui forte. Mas fugi.
Já me calei diante da injustiça, já me privei de lutar contra ela; lutei e relutei em vão.
Já chorei de emoção; já chorei de dor; já chorei de sofrimento.
Já chorei sem razão, apenas para me confortar.
Já me entreguei a um sentimento ruim, pelo simples prazer de ver o outro sofrer. Mesquinhez. Egoísmo.
Já caminhei pelo caminho do bom senso e da razão, deixando de lado os sonhos, alimentando minha alma apenas com o medíocre racional.
Já caminhei pelo terreno do sonho e da magia, das fadas e duendes, das lendas, das estórias da carochinha.
Já briguei por algo que era meu; já briguei por algo que não era meu. Já me fartei de brigar.
Já dancei, já brinquei, já ri muito, já amei muito, já senti muita raiva, já briguei muito, já sonhei muito.
Já tive filhos, já plantei uma árvore.
Faltava apenas escrever um livro.
Já consegui fazer isso. Consegui escrever um livro.
Completei a trilogia da vida.
Agora, só agora, posso então relaxar e esperar pela minha partida. Tenho lá em cima muitos amigos me aguardando. Devem estar ansiosos. Saudosos de noticias do lado de cá. Serei a mensageira.
Me aguardem. Na hora certa chego aí.


02/04/2011                      23:00

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