sexta-feira, 8 de abril de 2011

RADIO PATRULHA

Era Carnaval. Década de 60. Época da Jovem Guarda, da Bossa Nova, da Ditadura.
Naquele tempo costumávamos nos fantasiar para irmos aos famosos bailes de Carnaval. Começávamos no sábado e só parávamos na terça-feira.
Os preparativos começavam a ser feitos logo no início do mês. As fantasias eram elaboradas, com direito a muito brilho, máscaras, maquiagens exuberantes, cabelos coloridos com rinsagens e com muitos adornos a envolvê-los.
Meu primo era um jovem contestador. Estava naquela idade em que a palavra de ordem é Contrariar.
Servia nesse tempo o exército e por isso tinha aquela roupa com nome de farda, verde, cheia de botões, aquele coturno que demorava muito tempo para ser colocado e amarrado e aquele boné que dava ao traje uma elegância à toda prova.
Foi assim, vestido desse jeito, que o jovem resolveu ir para o baile de Carnaval.Fantasiado de militar?...Reco?...Soldado? Nem ele sabia.
Pulou e brincou a noite toda; acho que deve ter se esbaldado.
Na hora da volta para casa estava tão cansado que resolveu cortar caminho. O único atalho que encontrou foi uma rua que, para usá-la como atalho, deveria ser percorrida na contra mão
E assim o fez: desceu na contra mão vestido com uma farda de Tiro de Guerra.
De repente surge assim, do nada, uma Rádio Patrulha (era assim que se chamavam as viaturas de polícia naquele tempo). Ela vinha na mão correta.
O choque foi inevitável. Os dois carros bateram: o da polícia na mão correta e o de meu primo na contra mão vestido com a farda.
Foi uma confusão e tanto. Todos correram para resolver a situação que imagino eu tenha sido bastante complicada.
Não sei como fizeram, mas resolveram tudo e o tal primo a partir daí passou a contestar menos o que não deve ser contestado.
E acho também que nos carnavais que se seguiram ele deve ter se fantasiado de Nacional Kid.
08/04/2011                  19:48

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